O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), teve uma discussão acalorada com a defesa do banqueiro Daniel Vorcaro. A troca de hostilidades ocorreu em razão de divergências em relação às tratativas do acordo de delação premiada proposto pelo dono do Banco Master. O magistrado mostrou indisposição com as informações apresentadas até agora.
A informação foi primeiro publicada pela colunista Mônica Bergamo, da Folha de S. Paulo, e confirmadas pelo Correio junto a fontes ligadas ao caso.
Mendonça entendeu que as informações apresentadas até agora à Polícia Federal e à Procuradoria-Geral da República (PGR) são insuficientes para justificar o acordo de colaboração — que prevê a redução de pena e outros benefícios.
Como o Correio revelou nesta quarta-feira (6/5), a defesa de Vorcaro finalizou a proposta de delação premiada sobre o mega esquema que causou prejuízos bilionários ao Banco de Brasília (BRB) e criou uma rede de pagamento de propina para autoridades. A avaliação dos integrantes da PF é de que Vorcaro está poupando nomes e protegendo autoridades do alto escalão. De acordo com fontes ouvidas sob a condição de anonimato, o material apresentado foi classificado como "ruim".
"A delação está fraca, inconsistente, sem nomes do alto escalão. Do jeito que está, não ajuda nas investigações", afirmou uma fonte. No entanto, a defesa apresentou novos anexos, que serão analisados nas próximas semanas. Se o material for considerado consistente, a delação é oficializada e o conteúdo passa a ser usado tanto na ação penal quanto em eventuais novos desdobramentos da Operação Compliance Zero.
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