A repercussão da quinta fase da Operação Compliance Zero, deflagrada pela Polícia Federal nesta quinta-feira (7/5), provocou um novo embate político. Após o senador Ciro Nogueira (PP-PI) ser apontado como um dos alvos da investigação, o líder da oposição no Congresso Nacional, senador Izalci Lucas (PL-DF), cobrou explicações públicas da governadora do DF, Celina Leão (PP).
Em nota, Izalci afirmou que a operação reforça suspeitas sobre a influência política exercida por Ciro Nogueira no governo distrital e citou a relação entre o BRB e “ativos duvidosos” investigados no caso envolvendo o Banco Master.
“A governadora Celina Leão precisa explicar à sociedade até onde vai a influência do seu padrinho político nas decisões do Palácio do Buriti e nas indicações de órgãos estratégicos, como o próprio BRB”, declarou o senador.
O parlamentar também criticou o que chamou de uso político da estrutura do governo local e defendeu que o PL tenha candidatura própria ao Governo do Distrito Federal (GDF) em 2026. Segundo ele, o partido precisa apresentar um projeto “limpo e técnico” para o DF.
Nos bastidores, esse impasse tem chateado bastante o senador, que também é candidato ao governo do Distrito Federal. E por interferência da ex-primeira dama Michelle Bolsonaro (PL-DF), que insiste em apoiar o nome da amiga Celina, mesmo sendo de sigla diferente, tem dificultado a inserção do parlamentar na disputa.
A Operação Compliance Zero investiga um suposto esquema de corrupção, lavagem de dinheiro, organização criminosa e crimes contra o Sistema Financeiro Nacional. A ação foi autorizada pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), que também determinou restrições ao senador Ciro Nogueira, incluindo a proibição de contato com testemunhas e outros investigados.
Diante da repercussão, a governadora Celina Leão reagiu por meio de nota oficial. Ela afirmou que a investigação teve origem em uma auditoria interna conduzida pelo próprio Banco de Brasília (BRB), responsável por comunicar as irregularidades às autoridades competentes.
“A operação deflagrada hoje pela Polícia Civil do Distrito Federal é resultado de uma investigação iniciada pelo próprio BRB, a partir de auditoria interna realizada pelo banco”, informou a governadora.
Celina também afirmou que não haverá tolerância com desvios de conduta dentro da instituição financeira. “O compromisso do Governo do Distrito Federal é preservar a integridade do BRB, assegurar transparência nas apurações e garantir que eventuais responsáveis sejam punidos na forma da lei”, destacou .
Até o momento, o senador Ciro Nogueira não se manifestou, mas em coletiva realizada pela manhã em frente a sua residência, o advogado Antônio Carlos de Almeida Castro afirmou que a medida causa “estranheza” por, segundo ele, ter sido baseada em informações extraídas do celular de terceiros.
