
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) chegou à Casa Branca nesta quinta-feira (7/5) para uma reunião com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em um encontro cercado de expectativa sobre temas sensíveis da relação bilateral. Segurança pública, minerais estratégicos, economia e geopolítica estarão no centro das conversas entre os dois líderes.
Este será o segundo encontro entre Lula e Trump desde a volta do republicano ao poder. A reunião ocorre em meio à tentativa do governo brasileiro de ampliar a cooperação com os Estados Unidos no combate ao crime organizado sem abrir espaço para medidas que o Planalto considera ameaça à soberania nacional.
Veja o vídeo:
President @realDonaldTrump welcomes President Lula of Brazil to the White House ???????????????? pic.twitter.com/rZXMBcEgGH
— Margo Martin (@MargoMartin47) May 7, 2026
A principal preocupação do governo brasileiro é a possibilidade de o governo Trump avançar na classificação do Primeiro Comando da Capital (PCC) e do Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas. A medida vem sendo defendida nos Estados Unidos pelo ex-deputado Eduardo Bolsonaro, em interlocuções com integrantes da administração republicana.
Para evitar esse cenário, o governo brasileiro entregou previamente à equipe norte-americana um documento com ações de combate às facções e propostas de cooperação entre os dois países. A estratégia do Planalto é defender um modelo semelhante ao acordo firmado entre Estados Unidos e México para o enfrentamento aos cartéis de drogas.
Nos bastidores, integrantes do governo avaliam que classificar PCC e CV como grupos terroristas poderia abrir brechas para operações militares norte-americanas em território brasileiro sem autorização de Brasília — hipótese rejeitada pelo Palácio do Planalto.
Entre os argumentos que Lula pretende apresentar a Trump estão operações recentes conduzidas pelas forças de segurança brasileiras, como a Operação Carbono Oculto, que desarticulou parte de um esquema de lavagem de dinheiro do PCC em postos de combustíveis. O governo também deve citar a sanção da Lei Antifacção e a tramitação da PEC da Segurança Pública, aprovada pela Câmara e atualmente em análise no Senado.
Outro tema que deve ser tratado é o pedido de cooperação para a prisão de brasileiros investigados por tráfico de drogas, armas e crimes tributários que vivem nos Estados Unidos. Entre os nomes mencionados pelo governo brasileiro está o empresário Ricardo Magro, dono da refinaria Refit, no Rio de Janeiro.
Segundo autoridades brasileiras, Magro acumula dívida tributária estimada em R$ 26 bilhões com a Receita Federal e é investigado por supostas conexões com o crime organizado. Atualmente, ele vive em Miami.A reunião também ocorre em meio ao crescente interesse dos Estados Unidos nas reservas brasileiras de minerais críticos e terras raras, considerados estratégicos para a indústria de tecnologia e defesa.
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Conforme revelou o Blog da Denise, dois senadores norte-americanos — um democrata e um republicano — procuraram recentemente o presidente da Comissão de Relações Exteriores do Senado, Nelsinho Trad (PSD-MS), para discutir a posição brasileira sobre o tema. O senador afirmou aos parlamentares que o Brasil não abrirá mão da soberania sobre seus recursos minerais e destacou que há projetos em tramitação no Congresso para regulamentar o setor.
Apesar da relevância política do encontro, segundo a AFP, a Casa Branca adotou discrição na agenda. Não há previsão de entrevista coletiva conjunta entre os presidentes após a reunião.
Lula chegou aos Estados Unidos acompanhado de uma comitiva formada pelos ministros Mauro Vieira (Relações Exteriores), Wellington César Lima (Justiça e Segurança Pública), Dario Durigan (Fazenda), Márcio Elias Rosa (Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços) e Alexandre Silveira (Minas e Energia), além do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Passos Rodrigues.

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