O advogado Antônio Carlos de Almeida Castro, o Kakay, deixou a defesa do senador Ciro Nogueira (PP-PI) em meio ao avanço das investigações da Polícia Federal sobre o escândalo do Banco Master — o parlamentar foi alvo de operação de busca e apreensão, da Polícia Federal, na semana passada.
O substituto é o criminalista Conrado Gontijo, afilhado de Kakay e que possui ligação histórica com o grupo de advogados que atuava na defesa do senador até a semana passada.
Formado pela USP, o advogado atua na área criminal, integra o grupo Prerrogativas e também leciona no Instituto Brasileiro de Ensino, Desenvolvimento e Pesquisa (IDP), instituição ligada ao ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF).
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Em nota à imprensa, Kakay informou que a decisão foi tomada "em comum acordo" com Nogueira. Ao Correio, ele reiterou essa afirmação, negando qualquer desgaste com o parlamentar. "Simplesmente nós conversamos e achamos que seria melhor. Eu saí do caso, Ciro é amigo, saímos de consenso, sem nenhuma confusão, sem nada por causa de qualquer coisa ter entrado no processo, no caso, nada disso", sustentou.
A declaração ocorreu ante a repercussão da troca de defesa. A banca era composta, além de Kakay, por Roberta Castro Queiroz, Marcelo Turbay, Liliane de Carvalho, Álvaro Chaves e Ananda França.
Mais tarde, Kakay divulgou nova nota para rebater especulações sobre os motivos da renúncia. Afirmou que a equipe jurídica não apresentará detalhes sobre a decisão em razão do dever de sigilo profissional que rege a relação entre advogado e cliente.
"A respeito dos reiterados questionamentos sobre os motivos de nossa renúncia no caso do senador Ciro Nogueira, reafirmamos não poder explicitar maiores detalhes, por uma questão ética e em razão do dever de sigilo, que deve orientar sempre a relação advogado e cliente", frisou.
Em relatório encaminhado ao STF, a Polícia Federal afirma que Nogueira teria usado o mandato para atuar em favor dos interesses do dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, em troca de propina.
Entre os indícios apontados pela PF estão pagamentos periódicos, despesas com viagens, hospedagens, restaurantes e uso de imóveis de alto padrão. Os investigadores também mencionam a suspeita de uma mesada de R$ 300 mil supostamente paga ao senador. Nogueira nega irregularidades.
Na semana passada, ele divulgou nota em reação à operação da PF e alegou perseguição política. "Todo ano político é a mesma coisa. Tentam parar de todas as formas quem lidera as pesquisas de intenção de votos", escreveu o presidente nacional do PP. Ele ressaltou que em 2018 também foi alvo de investigações às vésperas das eleições. "Mas o povo do Piauí sentiu a perseguição política, e o efeito foi contrário: crescemos 6 pontos na pesquisa e vencemos aquela eleição."
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