Segurança Pública

Lula destaca combate ao crime organizado na política externa brasileira

Presidente ponderou, no entanto, que parceria com Estados Unidos deverá ser "em consonância com aquilo que é a decisão do governo e da polícia brasileira"

O presidente Lula destacou, nesta terça-feira (12/5), que o combate ao crime organizado é um importante tema da política externa brasileira. Ele citou a conversa com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, na semana passada, e declarou que entregou durante o encontro o pacote de medidas lançado pelo Palácio do Planalto.

"Eu disse ao presidente Trump: 'se você quiser colaborar, tem espaço para vocês participarem conosco no combate ao crime organizado, à lavagem de dinheiro, ao contrabando de arma nas fronteiras; agora, vai trabalhar em consonância com aquilo que é a decisão do governo e da polícia brasileira'", disse Lula no lançamento do programa Brasil Contra o Crime Organizado.

O petista também ressaltou a necessidade de combater o crime no “andar de cima”, desmistificando que “muitas vezes o criminoso não é o pobre, não é o negro, não é o desempregado”. “Muitas vezes o responsável está no andar de cima, engravatado, tomando whisky e zombando da nossa cara.”

“Muitas vezes a polícia olha para a favela, mas ele sabe que está no 15° andar de um apartamento, olhando da cobertura, a ação da polícia. Muitas vezes ele está no meio empresarial, no Congresso Nacional, no futebol, ou seja, ele está espalhado por todas as categorias existentes”, observou.

Aceno a governadores

Com a proposta de emenda à Constituição (PEC) que institui o sistema integrado das forças de segurança pública e cria uma série de outras medidas, a chamada PEC da Segurança Pública, travada no Senado há dois meses, o governo vem tendo dificuldades de avançar na pauta, que é dominada pela oposição.

O momento ruim com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), com a rejeição recente de Jorge Messias à vaga no Supremo Tribunal Federal (STF), e a insatisfação de governadores com a PEC, sob o argumento de perda de autonomia da gestão da segurança, acaba criando empecilho para o avanço da matéria, aprovada pelos deputados em março.

Lula, que não esconde as tentativas de ganhar espaço neste tema visando as eleições no segundo semestre do ano, aproveitou o lançamento do pacote de medidas para acenar aos governadores.

Segundo ele, é urgente a necessidade de diálogo com o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e com o Conselho Nacional de Procuradores, pois há “muita queixa” dos governadores. “Muitas vezes a polícia prende os bandidos e uma semana depois esse bandido está solto. (...) Esse é um tema que nós vamos ter que colocar na mesa para ver se a gente consegue colocar também o Poder Judiciário em harmonia com essa tese que estamos aprovando aqui hoje de combater o crime organizado.”

O chefe do Executivo afirmou, ainda, que, assim que o Senado aprovar a PEC da Segurança, será criado um ministério específico para este tema, separado da pasta da Justiça. "Eu sempre recusei a aprovar o Ministério da Segurança Pública enquanto a gente não tivesse definido qual seria o papel do governo federal na segurança pública."

O presidente ressaltou que agora sente a "necessidade de que o governo federal volte a participar ativamente mas com critérios e com determinação" e sinalizou aos estados que o objetivo é evitar que o crime se aproveite da divisão entre os entes federados, e não "ocupar o espaço dos governadores nem o passo da polícia estadual".

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