O líder da oposição na Câmara, Cabo Gilberto Silva (PL-PB), apresentou nesta quarta-feira (13/5) as principais pautas que devem nortear a atuação do bloco oposicionista ao longo de 2026.
Em café da manhã com jornalistas, o primeiro promovido pela oposição neste ano, o parlamentar fez críticas diretas ao Supremo Tribunal Federal (STF), defendeu mudanças constitucionais e afirmou que a direita pretende concentrar esforços em temas ligados à segurança pública, prerrogativas parlamentares e redução de impostos.
Entre os assuntos destacados está o pedido de impeachment do ministro do STF Alexandre de Moraes, tema que voltou a mobilizar parlamentares bolsonaristas após decisões recentes da Corte envolvendo condenados pelos atos de 8 de janeiro e a suspensão da chamada Lei da Dosimetria.
Outra pauta prioritária apontada por Cabo Gilberto foi a redução da maioridade penal. Ao comentar o tema, o deputado afirmou que “a prioridade é a educação, a educação sustenta todos os pilares da sociedade”.
O parlamentar também voltou a defender mudanças nas regras que tratam das prerrogativas parlamentares e criticou o Inquérito das Fake News, conduzido por Moraes no STF. “Esse inquérito é infindável, é para perseguir opositores. Isso são fatos”, declarou.
No encontro, Cabo Gilberto ainda reforçou o apoio da oposição à Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que limita decisões monocráticas de ministros do Supremo. Segundo ele, a proposta é uma das prioridades do grupo no Congresso.
“Precisamos de 308 votos para acabar com as decisões monocráticas”, afirmou. “Tem que acabar com essas decisões monocráticas, que só servem para prejudicar o povo", acrescentou o parlamentar.
O deputado também declarou que defende uma ampla reformulação institucional no país. “Eu defendo uma nova Constituição. Sei que é difícil, mas é o que eu defendo”, disse.
Anistia aos condenados do 8 de janeiro
Ao tratar da PEC da Anistia, proposta defendida pela oposição para beneficiar envolvidos nos atos de 8 de janeiro, Cabo Gilberto afirmou que o avanço do texto depende do apoio das presidências da Câmara e do Senado.
“Precisamos muito do apoio dos presidentes Hugo Motta (Republicanos-PB) e Davi Alcolumbre (União-AP), […] eles precisam ter uma blindagem para a defesa do Parlamento e da sociedade sobre as prerrogativas, mas deixando bem claro que não estou falando sobre corrupção”, declarou.
Na área econômica, o líder oposicionista afirmou que a bancada apoiará medidas de redução de impostos mesmo que isso possa beneficiar politicamente o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A fala ocorreu após questionamentos sobre a medida provisória assinada por Lula ontem (12) que elimina a chamada “taxa das blusinhas”.
“Vamos votar a favor […] essa é uma pauta da oposição”, afirmou. “Essa não é uma vitória de Lula, é uma vitória da população", emendou.
A segurança pública também apareceu entre os principais eixos da agenda oposicionista para 2026. O grupo pretende priorizar projetos ligados ao endurecimento penal, combate às facções criminosas e fortalecimento das forças policiais no Congresso ao longo do ano.
