Caso Master

Tarcísio sai em defesa de Flávio após divulgação de áudios com Vorcaro

Governador de São Paulo afirmou que episódio não enfraquece a pré-candidatura presidencial do senador e cobrou continuidade dos esclarecimentos sobre pagamentos ligados a filme sobre Jair Bolsonaro

O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), saiu em defesa do senador Flávio Bolsonaro (PL) nesta quinta-feira (14/5), após a divulgação de áudios em que o parlamentar cobra o banqueiro Daniel Vorcaro por pagamentos relacionados à produção de um filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro. Segundo Tarcísio, o episódio não deve prejudicar a pré-candidatura de Flávio ao Palácio do Planalto.

Durante entrevista coletiva, o governador afirmou que há um desgaste da população com o atual governo e avaliou que o cenário político favorece a oposição. “Existe uma fadiga do PT em vender esperança. As pessoas estão sem norte, tomadas pela desesperança, esperando um projeto”, declarou. Para Tarcísio, os debates conduzidos por Flávio Bolsonaro na pré-campanha continuam mobilizando apoiadores e, por isso, a repercussão do caso não teria força para enfraquecer o senador.

O governador também afirmou que Flávio procurou esclarecer rapidamente o conteúdo das gravações divulgadas. “O Flávio imediatamente procurou dar os esclarecimentos, falou do que se tratava. Acho que o Flávio precisa continuar dando os esclarecimentos à medida que as perguntas forem aparecendo”, disse. Tarcísio acrescentou que “o escândalo do Banco Master está no centro das atenções dos brasileiros” e afirmou que a população “não tolera mais corrupção”.

"Dark Horse"

Os áudios vieram a público após reportagem do site The Intercept Brasil revelar conversas em que Flávio Bolsonaro cobra Vorcaro por repasses financeiros destinados ao filme Dark Horse, cinebiografia sobre Jair Bolsonaro. Segundo a publicação, o banqueiro teria se comprometido a investir R$ 124 milhões no projeto, dos quais cerca de R$ 61 milhões já teriam sido pagos. Após a divulgação do material, Flávio confirmou que pediu dinheiro ao empresário, mas negou qualquer irregularidade.

A repercussão provocou divergências entre os envolvidos na produção do longa. O deputado federal Mário Frias (PL), produtor executivo do filme, e a produtora GOUP Entertainment divulgaram notas afirmando que o projeto não recebeu recursos diretamente de Vorcaro ou do Banco Master. Segundo Frias, Flávio Bolsonaro não possui participação societária na obra e apenas cedeu os direitos de imagem da família Bolsonaro para a produção cinematográfica.

Em nota, a GOUP Entertainment afirmou que o filme é financiado exclusivamente com capital privado e sustentou que eventuais conversas com empresários não configuram investimento formal. A produtora também alegou que contratos de confidencialidade impedem a divulgação dos nomes dos investidores e repudiou tentativas de associar o projeto a investigações envolvendo o banqueiro. Frias afirmou ainda que a produção vem sofrendo “ataques direcionados” desde o anúncio do longa.

Apesar das negativas, relatórios de inteligência financeira do Coaf apontam que a empresa Entre Investimentos, citada como intermediadora de repasses para o projeto, recebeu R$ 159,2 milhões de fundos investigados pela Polícia Federal por suposta participação em fraudes ligadas ao Banco Master. Até o momento, não há confirmação sobre quanto desse montante teria sido efetivamente destinado à produção de Dark Horse. Daniel Vorcaro está preso sob suspeita de comandar um esquema de fraudes financeiras investigado pela Polícia Federal, com prejuízo estimado em até R$ 12 bilhões.

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