MINERAIS CRÍTICOS

Lula propõe parceria com EUA em terras raras se Trump frear tensão com China

Lula também reforçou que o governo não pretende abrir mão da soberania nacional sobre os recursos naturais

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou, nesta segunda-feira (18/5), que o Brasil está disposto a firmar parceria com os Estados Unidos na exploração de minerais críticos, desde que o presidente norte-americano Donald Trump reduza os conflitos comerciais com o líder chinês Xi Jinping. A declaração foi feita durante a inauguração de novas instalações do acelerador de partículas Sirius, em Campinas (SP).

“Se a gente for fazer esse estudo só cavando buraco, isso vai demorar muito. A gente vai ter que contar com inteligência e a ciência e o conhecimento de vocês para dar um salto de qualidade, e ver se, em um curto espaço de tempo, a gente faça que o Trump deixe de brigar com o Xi Jinping e venha se associar a nós para explorar isso aqui”, disse Lula.

Segundo o presidente, o Brasil não pretende impor restrições a parceiros internacionais e busca ampliar investimentos estrangeiros no setor mineral. 

Lula ainda destacou que o país ainda conhece apenas cerca de 30% de seu potencial mineral e afirmou que a ciência brasileira terá papel central na identificação dessas riquezas. “O Brasil não tem veto a ninguém. Queremos trabalhar com chineses, americanos, alemães, franceses e japoneses”, declarou o presidente durante o evento.

Lula também reforçou que o governo não pretende abrir mão da soberania nacional sobre os recursos naturais. De acordo com ele, os chamados minerais críticos e as terras raras devem ser explorados com participação da indústria brasileira e processamento realizado no país. “Os minérios críticos são nossos, as terras raras são nossas e a gente quer explorar aqui dentro”, afirmou.

A cerimônia marcou a entrega de quatro novas linhas de luz do Sirius — Sapucaia, Quati, Sapê e Tatu — que receberam investimento de R$ 800 milhões por meio do Novo PAC. As novas estruturas permitirão pesquisas em áreas estratégicas, como semicondutores, baterias e novos materiais, consideradas fundamentais para o avanço tecnológico e industrial do Brasil.

O Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais, responsável pelo Sirius, deverá atuar no mapeamento de minerais estratégicos e no desenvolvimento de tecnologias voltadas à exploração e industrialização desses recursos.

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