Florianópolis – O ex-governador de Goiás Ronaldo Caiado (PSD-GO) afirmou, nesta segunda-feira (18/5), que eventuais problemas de ordem pessoal envolvendo agentes públicos devem ser esclarecidos à sociedade, ao comentar a repercussão da ligação entre o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o empresário Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, preso pela Superintendência da Polícia Federal em Brasília. Sem citar diretamente o caso, Caiado disse que qualquer ocupante de cargo público deve prestar contas. A declaração foi dada à imprensa durante sua participação no Conexa 2026, realizado em Florianópolis.
Questionado sobre se o caso envolvendo o senador com Vorcaro o fortalece na campanha presidencial, Caiado preferiu responder que cabe às instâncias superiores julgarem. “Caberá a cada um, seja no Senado, na Câmara, no Supremo ou em qualquer instância de poder, prestar contas de seus problemas pessoais à sociedade, e a sociedade irá julgar”, afirmou, ressaltando que em sua trajetória política e vida pública nunca enfrentou questões éticas. “São 40 anos de vida pública sem que nada desabone Ronaldo Caiado do ponto de vista moral”, declarou.
Nos bastidores, o Correio apurou que as equipes de Zema e Caiado comemoram a exposição negativa do senador na mídia, com a publicização do áudio e mensagens que mostram que Flávio Bolsonaro pediu dinheiro a Daniel Vorcaro para financiar um filme biográfico sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro, que cumpre prisão domiciliar humanitária temporariamente, por tentativa de golpe de Estado.
O pré-candidato à Presidência da República afirmou ainda que pretende disputar espaço no campo da direita com base em experiência administrativa e resultados de gestão. Segundo ele, a população está cansada da polarização política e busca soluções concretas para problemas cotidianos, como segurança pública e geração de oportunidades. “Ninguém quer permanecer nessa escuridão, nesse labirinto em que se vive hoje. As pessoas querem buscar luz e resultados”, disse.
Defesa do uso de terras raras
O ex-governador também defendeu uma política de agregação de valor às chamadas terras raras, conjunto de minerais estratégicos usados na produção de semicondutores, baterias, equipamentos médicos, motores e tecnologias militares. Caiado criticou a exportação da matéria-prima brasileira sem beneficiamento e afirmou que o país perde competitividade ao vender minério bruto para outros mercados, especialmente a China.
Segundo ele, o Brasil exporta minerais por valores baixos e importa produtos industrializados com alto valor agregado. “Estamos vendendo a 70 dólares a tonelada. O mineral separado, como o térbio e o disprósio, vale mil dólares o quilo”, afirmou. Caiado disse ainda ter firmado memorandos de entendimento com o Japão e com os Estados Unidos para incentivar transferência de tecnologia e processamento mineral em território brasileiro.
O evento, organizado pela Associação Empresarial de Florianópolis (ACIF), pretende reunir, nos dois dias, mais de 100 líderes de associações empresariais do Estado e do Brasil, empresários, representantes do setor produtivo e alguns presidenciáveis. O governador de Santa Catarina, Jorginho Mello (PL-SC), participou da cerimônia de abertura. O evento contou também com a presença do ex-governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo-MG), pré-candidato à Presidência. O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) foi convidado, mas não compareceu.
*O repórter viajou a convite da Associação Empresarial de Florianópolis
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