França

Lula diz que mundo falhou em construir respostas coletivas para crises

Ao iniciar discurso na Cúpula do G7, presidente relembrou sua primeira participação no então G8, em 2003

"O protecionismo e o unilateralismo ressurgem como respostas falaciosas para a complexidade dos nossos problemas", discursou Lula - (crédito: Ricardo Stuckert/PR)

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) fez duras críticas ao modelo econômico global nesta terça-feira (16/6), durante a reunião ampliada da cúpula do Group of Seven (G7), realizada em Évian-les-Bains, na França.

Convidado pelo presidente francês, Emmanuel Macron, Lula afirmou que a comunidade internacional tem fracassado há décadas em encontrar soluções duradouras para desafios que afetam milhões de pessoas em todo o mundo.

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Ao iniciar o discurso, o presidente relembrou sua primeira participação no então G8, em 2003, na mesma cidade, e destacou sua longa trajetória nas reuniões do grupo.
“Desde aquele ano, estive em outras nove cúpulas do G8 ou G7. Em todas elas nos defrontamos com crises e desafios que afetam milhões de pessoas ao redor do mundo. Mas, em nenhuma conseguimos construir respostas coletivas e duradouras”, declarou.
Durante a fala, Lula criticou diretamente a condução da economia global nas últimas décadas e responsabilizou as políticas econômicas liberais pelo agravamento das desigualdades sociais e institucionais no planeta. Segundo ele, “ficamos aprisionados em dogmas que defendem a desregulamentação de mercados, Estado mínimo e austeridade fiscal como fins em si mesmos”.
Na sequência, o presidente brasileiro afirmou que esse modelo aprofundou problemas estruturais enfrentados pelas democracias. “O neoliberalismo agravou a desigualdade econômica e a crise política que hoje assola as democracias”, disse.

Protecionismo e desigualdade

Lula também demonstrou preocupação com o avanço de políticas protecionistas e decisões unilaterais adotadas por países em meio a disputas econômicas globais. Para ele, “o protecionismo e o unilateralismo ressurgem como respostas falaciosas para a complexidade dos nossos problemas”.
Ao abordar a desigualdade entre países desenvolvidos e economias emergentes, o presidente ressaltou que a diferença entre as realidades globais continua aumentando. “A distância que separa a prosperidade de Évian da realidade enfrentada por bilhões de pessoas no Sul Global não está diminuindo”, afirmou.
Lula chamou atenção para a concentração extrema de riqueza, e responsabilizou as políticas econômicas adotadas nas últimas décadas. “O primeiro trilionário do mundo (o empresário Elon Musk) é mais rico do que os 46% mais pobres da população mundial. A extrema concentração de riqueza decorre de décadas de políticas pró-bilionários”, declarou.
O presidente também alertou para o afastamento das metas globais estabelecidas pelas Nações Unidas e reforçou a necessidade de reorganizar a cooperação internacional. “Caminhamos na contramão da Agenda 2030”, concluiu, em referência à Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável.

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postado em 16/06/2026 13:32 / atualizado em 16/06/2026 13:32
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