O ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos, criticou nesta terça-feira (2/6) a proposta do governo dos Estados Unidos de impor uma tarifa de 25% sobre importações brasileira,s e atribuiu a medida à atuação de aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) junto à administração norte-americana.
Em vídeo divulgado nas redes sociais, Boulos afirmou que a proposta apresentada pelo governo de Donald Trump não atinge diretamente o governo brasileiro, mas sim empresas e trabalhadores do país. “Não é contra o governo Lula. É contra as empresas brasileiras e os trabalhadores brasileiros”, declarou o ministro.
A manifestação ocorreu após o Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês) divulgar um documento propondo a aplicação de tarifas de 25% sobre produtos brasileiros. A iniciativa está relacionada a questionamentos dos EUA sobre temas como comércio digital, tarifas comerciais, propriedade intelectual, acesso ao mercado de etanol e desmatamento ilegal.
Durante a gravação, Boulos mencionou a recente visita do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e de seu irmão, Eduardo Bolsonaro, à Casa Branca. Segundo o ministro, haveria relação entre o encontro e a nova proposta tarifária.
Boulos argumentou que a medida norte-americana teria como objetivo incentivar a transferência de empresas instaladas no Brasil para território americano, evitando a incidência das tarifas. De acordo com ele, isso poderia resultar na redução de empregos no país.
O ministro também acusou Flávio Bolsonaro de atuar contra os interesses nacionais e classificou como “traidores da pátria” os responsáveis, segundo sua avaliação, por apoiar iniciativas que prejudiquem a economia brasileira. Em tom crítico, afirmou ainda que integrantes desse grupo político não deveriam aspirar à Presidência da República.
Investigação da Seção 301
A proposta do USTR ainda não representa uma decisão definitiva. O governo norte-americano prevê a realização de consultas públicas e audiências antes de definir eventuais sanções comerciais contra o Brasil.
Segundo o documento divulgado pelo órgão, determinadas políticas brasileiras relacionadas ao comércio digital, serviços de pagamento eletrônico, propriedade intelectual, etanol, combate à corrupção e desmatamento ilegal podem ser enquadradas na chamada Seção 301 da Lei de Comércio dos Estados Unidos, mecanismo que permite ao governo dos EUA investigar e adotar medidas contra práticas consideradas injustas no comércio internacional.
O texto também prevê exceções para alguns produtos. Entre os itens que ficariam fora das tarifas punitivas estão carne bovina, café, determinadas frutas e nozes, especiarias, petróleo e minérios metálicos.
Em nota, o USTR sustentou que determinadas práticas brasileiras seriam “irrazoáveis” e representariam restrições ao comércio norte-americano, justificando a abertura de procedimentos com base na legislação comercial dos Estados Unidos.
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