O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) lembrou, nesta terça-feira (2/6), uma fala do líder dos Estados Unidos, Donald Trump, de que pintou uma “química” com o brasileiro, para cobrar do chefe da Casa Branca explicações ao Brasil em relação ao anúncio de novas tarifas sob a justificativa de que o Pix fragiliza o mercado.
“Trump, faz o seguinte, você disse que pintou uma química. Quem anunciou isso (a taxação) não foi você, e nem eu. Então, você me deve uma reunião, e eu lhe devo uma para você”, disse Lula, em discurso realizado na inauguração do Hospital Universitário da Universidade Federal de Catalão, em Goiás.
À ocasião, ele destacou que o anúncio da tarifa de 25% a produtos brasileiros sob a justificativa de que o país adota práticas que prejudicamos norte-americanos não foi anunciada por Trump.
Lula ainda lembrou que, na última reunião bilateral com o presidente dos EUA, realizada no início de maio, ficou acordado que haveria novo encontro — presencial ou à distância — em 30 dias.
“Eu e você demos 30 dias para nossos ministros negociarem. Então, eu estou esperando um telefonema seu para me explicar o que aconteceu na sua ausência e na minha”, pontuou o presidente brasileiro.
Lula quer exportar o Pix
Um dos argumentos do órgão representante comercial dos Estados Unidos para taxar o Brasil em 25% foi o de que o sistema de pagamentos via Pix afeta os norte-americanos.
Para Lula — que, durante o discurso em Catalão, segurava um cartaz com a mensagem “O Pix é do Brasil” — a perspectiva de que o sistema de pagamentos prejudicaria os norte-americanos seguiria os interesses das empresas de cartões de débito e crédito oriundas dos EUA que atuam no Brasil.
“A preocupação deles (EUA) é que o Pix acabe com as empresas de cartões de crédito dos Estados Unidos que estão atuando aqui no Brasil. (...) E vai acabar, porque o Pix é de graça, é público, e ninguém paga nada. É só clicar o Pix, e está resolvido nosso problema”, argumentou Lula, ao acrescentar ter dito a Trump para importar o Pix aos Estados Unidos.
“Trump, cara, em vez de ter medo do Pix, faça o Pix funcionar nos Estados Unidos”, lembrou.
A defesa do funcionamento do Pix é a principal tônica da reação do Planalto ao anúncio de que os Estados Unidos sobretaxariam em 25% produtos brasileiros importados para os norte-americanos. Entre os produtos, no entanto, há uma lista de exceções para carne, frutas, café, aeronaves, terras raras, entre outras.
