Lisboa — A 14ª edição do Fórum de Lisboa se encerra hoje com uma intensa programação voltada a debates sobre o mercado financeiro. Um dos painéis mais esperados é o que vai tratar do tema Rumos da economia brasileira: reflexões internacionais, com a presença confirmada do presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo.
Também participam da mesa a presidente da Petrobras, Magda Chambriard, e o ex-ministro da Fazenda Nelson Barbosa, que hoje é diretor de Planejamento e Relações Institucionais do BNDES, o presidente da Federação Brasileira de Bancos (Febraban), Isaac Sidney, e o diretor senior de Políticas Públicas do Nubank e CEO da Zetta, Eduardo Lopes.
O debate ganha importância diante do momento atual em que os Estados Unidos propõem uma nova política de tarifaço contra o Brasil.
Na sequência, os participantes do chamado Gilmarpalooza poderão acompanhar o keynote speech (debate principal) com a presença do Prêmio Nobel de Economia em 2025, Joel Mokyr, que é professor da Northwestern University, localizada no estado de Illinois, nos Estados Unidos.
Mokyr tem trabalho focado na compreensão sobre como a tecnologia, o conhecimento e a inovação impulsionam o crescimento sustentado das sociedades. Ele vai apresentar uma palestra ao lado do ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), anfitrião do evento, e da diretora-presidente da Confederação Nacional das Instituições Financeiras do Brasil (FIN), Cristiane de Oliveira Coelho Galvão, que é professora do IDP.
A presença de Joel Mokyr marca uma edição do Fórum de Lisboa em que personalidades internacionais são o destaque. Neste ano, com o tema Nova ordem internacional: tecnologia e soberania, desafios democráticos, econômicos e sociais, o evento reuniu, na Faculdade de Direito de Lisboa, figuras de projeção em mais de 10 países.
Inteligência artificial
No segundo dia da programação ontem, a estrela foi o premiado jornalista Thomas Friedman, colunista de assuntos internacionais do The New York Times, que falou sobre os desafios da humanidade pelo avanço da inteligência artificial (IA). Ele respondeu perguntas do chairman do BTG, André Esteves, com a participação do ministro Gilmar Mendes.
Friedman traçou um futuro sombrio em que a humanidade será dominada pela máquina. Ou seja, as pessoas serão totalmente submetidas à IA num futuro próximo.
O jornalista vencedor de três prêmios Pulitzer se referiu a três fases da evolução humana: a do gelo, a líquida e a do vapor, que estamos vivendo agora. O vapor entra em qualquer lugar, permeia todas as esferas da vida humana.
E para o autor do best-seller O Mundo é Plano: uma Breve História do Século XXI, a saída seria a união das duas maiores potências econômicas do planeta, Estados Unidos e China, em torno de um protocolo de ação. Friedman disse que a ideia pode parecer ingênua, mas sem uma aliança ambas as potências sofrerão as consequências.
Friedman também se referiu às redes sociais como responsáveis pela ameaça à democracia, aos moldes do que provocaram no Brasil, com uma polarização extrema. Segundo ele, as redes sociais atacam dois pilares: verdade e confiança. "O Facebook não está no negócio de notícias. O Twitter (hoje X) não está no negócio de notícias. O modelo de negócio deles não é te informar, é te provocar", afirmou.
Outro nome de destaque internacional presente no Fórum de Lisboa foi o ex-presidente da Colômbia Ivan Duque. Político de direita que governou o país entre 2018 e 2022, ele disse que já declarou publicamente seu apoio à ação do presidente Donald Trump de captura do presidente da Venezuela Nicolas Maduro.
O ex-presidente da Colômbia disse que é contra o que vinha ocorrendo no país vizinho e citou "torturas e desaparecimentos".
Também se mostrou um aliado do presidente da Argentina, de Javier Milei, ao elogiar medidas econômicas, mesmo com impacto social negativo.
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