Seção 301

Flávio atribui tarifa dos EUA ao governo e minimiza impacto em candidatura

Senador afirma que sobretaxação de produtos brasileiros é consequência da condução da política externa do atual governo, e diz que medida não afetará sua campanha presidencial

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), apontado como possível candidato do partido à Presidência da República em 2026, afirmou, nesta quarta-feira (3/6), que a imposição de novas tarifas pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros não deverá prejudicar sua eventual campanha eleitoral.

Em entrevista ao jornal O Tempo, em Minas Gerais, ele atribuiu a medida ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), e classificou a sobretaxação como resultado da condução da política externa brasileira.

Segundo o parlamentar, a decisão norte-americana decorre de uma série de provocações do governo brasileiro ao presidente dos Estados Unidos. “Essa tarifa sobre as empresas brasileiras é a tarifa do Lula. Pelo seu comportamento, pela sua falta de habilidade”, declarou.
Para Flávio, o presidente busca explorar eleitoralmente a tensão diplomática, e não estaria preocupado com os impactos econômicos para as empresas nacionais.
O senador também afirmou que pretende atuar para evitar a aplicação das tarifas. Ele revelou ter encaminhado uma carta ao secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, pedindo que o governo norte-americano reconsidere a medida. “Já mandei uma carta ao governo americano explicando essa situação e pedindo que não taxem as empresas brasileiras”, disse.
Ao comentar os possíveis reflexos políticos da decisão, Flávio rejeitou a avaliação de que a sobretaxação possa desgastar sua imagem junto ao eleitorado. Segundo ele, a estratégia será atribuir a responsabilidade pelo episódio ao governo federal. “Com a verdade, a gente vai explicar que essa taxa do Lula, essa tarifa do Lula, é por causa das provocações dele aos Estados Unidos”, afirmou.

Classificação das facções como terroristas

Durante a entrevista, o senador também abordou a recente classificação do Primeiro Comando da Capital (PCC) e do Comando Vermelho (CV) como organizações criminosas estrangeiras pelos Estados Unidos. Flávio minimizou eventuais impactos da medida sobre a soberania brasileira, e afirmou estar mais preocupado com a presença das facções em áreas dominadas pelo crime organizado.
Ele ainda negou que a decisão tenha qualquer efeito sobre o sistema de pagamentos instantâneos Pix.
Na área de segurança pública, o parlamentar voltou a defender o endurecimento da legislação penal e a ampliação do sistema prisional. Flávio afirmou que pretende priorizar propostas voltadas ao combate à criminalidade e à redução da reincidência.
“Ladrão de celular tem que ficar preso”, declarou. Segundo ele, o objetivo é aprovar leis que garantam o cumprimento efetivo das penas e impeçam que o sistema prisional funcione como uma “porta giratória” para criminosos.

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