DIPLOMACIA

Indicação de embaixador dos EUA no Brasil quebra tradição diplomática

Nome do republicano Daniel Perez não foi comunicado previamente ao Itamaraty. Ele vai vai substituir Gabriel Escobar, encarregado de Negócios dos Estados Unidos

A indicação do político republicano Daniel Perez para assumir o cargo de embaixador nos Estados Unidos no Brasil causou surpresa no Ministério das Relações Exteriores por, segundo interlocutores da pasta ouvidos nesta quarta-feira (3/6), ignorar protocolos comumente utilizados na diplomacia.

Anunciado na terça-feira (2/6) pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para substituir Gabriel Escobar, encarregado de Negócios dos Estados Unidos no Brasil, Perez foi lançado pelo republicano sem o chefe da Casa Branca enviar ao Brasil uma ação denominada de pedido de agrément (do francês, consentimento ou aprovação). 

A falta do processo de Agrément na escolha do embaixador norte-americano ocorreu no momento em que a relação entre Brasil e os EUA é marcada por impasses por causa da classificação das facções criminosas Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV) como grupos terroristas internacionais e a aplicação de tarifas justificadas pela alegação de que o país, na avaliação norte-americana, agiria contra o sistema financeiro dos EUA.

Investigação prévia

Na diplomacia, o procedimento é comumente usado pelo país interessado no envio do embaixador para consultar possíveis intercorrências entre o nome do enviado e a nação onde o representante vai atuar.

É por meio do agrément ser possível checar se o currículo e o histórico de Daniel Perez, por exemplo, afetariam o Brasil de alguma maneira.

Feito em comunicação privada e restrita entre os países, esse processo é compreendido na diplomacia como maneira de preservar tanto o nome do indicado para o embaixador como o país de destino.

Próximos passos

Mesmo sem passar pelo agrément, é possível que Daniel Perez torne-se o embaixador do Estados Unidos no Brasil. Após ter sido indicado por Trump na terça, o nome dele precisa ser aprovado pelo Senado dos Estados Unidos.

Em possível aprovação no Legislativo norte-americano, Perez viria ao Brasil para participar de uma cerimônia oficial no Planalto para entregar ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva as suas credenciais de embaixador dos EUA no país.

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