Brasil-EUA

Oposição reage a críticas a Flávio Bolsonaro e culpa Lula por tarifaço: "Irresponsável"

Líder oposicionista afirma que política externa do governo agravou crise com os EUA; Planalto atribui impasse à atuação de aliados de Bolsonaro junto a autoridades norte-americanas

Segundo Cabo Gilberto,
Segundo Cabo Gilberto, "Flávio está trabalhando junto às autoridades dos EUA para impedir que essas tarifas atinjam os produtos brasileiros" - (crédito: Danandra Rocha/CB/D.A. Press)

A proposta do governo dos Estados Unidos de aplicar uma tarifa adicional de 25% sobre parte dos produtos brasileiros exportados ao país elevou a tensão entre o Palácio do Planalto e Congresso. Enquanto o presidente Luiz Inácio Lula da Silva atribui parte da crise à atuação de aliados da família Bolsonaro junto a autoridades norte-americanas, parlamentares oposicionistas responsabilizam o governo federal pelo desgaste diplomático com Washington.

Em entrevista ao Correio Braziliense, o líder da oposição na Câmara, deputado Cabo Gilberto Silva (PL-PB), classificou como “preocupante” a possibilidade de entrada em vigor da medida e afirmou que os impactos poderão ser sentidos por toda a população brasileira caso não haja um acordo para evitar a taxação.

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“Precisamos trabalhar arduamente para evitar que isso ocorra. Infelizmente, temos um governo irresponsável. A política externa do governo Lula é um desastre”, afirmou o parlamentar.

A proposta tarifária foi anunciada pela administração do presidente Donald Trump após a conclusão de uma investigação comercial conduzida pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR). O governo norte-americano argumenta que determinadas políticas brasileiras criam barreiras ou prejuízos a interesses econômicos dos EUA. O Brasil contesta as alegações e tenta negociar uma saída diplomática.

Clã Bolsonaro

Ontem (2/6), a discussão ganhou força. Lula acusou o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) de atuar contra os interesses brasileiros ao manter interlocução com autoridades dos EUA em meio ao avanço das discussões comerciais. O presidente também criticou integrantes da família Bolsonaro durante evento público, provocando reação imediata da oposição.

Durante evento em Catalão (GO), o líder petista classificou Flávio e o irmão Eduardo Bolsonaro (PL-SP) como “vendilhões da pátria” e “traidores”, acusando-os de buscar interferência estrangeira em assuntos internos do Brasil.

“Esses filhos do Bolsonaro conseguem ser pior do que ele. E são, na verdade, vendilhões da pátria. Foram pedir para que um país estrangeiro se intrometesse nas decisões brasileiras”, afirmou o presidente.

O chefe do Executivo também disse que as negociações entre Brasil e Estados Unidos vinham ocorrendo de forma positiva após encontro recente com Trump, mas teriam sido prejudicadas pela atuação de integrantes da família Bolsonaro junto ao governo norte-americano.

Cabo Gilberto rejeitou qualquer relação entre a atuação do senador e a decisão do governo norte-americano. Segundo ele, as investigações que resultaram na proposta tarifária são anteriores às recentes viagens de Flávio Bolsonaro aos Estados Unidos.

“São fatos. Nem minha opinião, nem a opinião de Lula. Essas investigações vêm de antes, não de agora”, declarou.

O deputado também afirmou que o senador tem se mobilizado para evitar que a taxação seja implementada. “Flávio Bolsonaro está trabalhando junto às autoridades norte-americanas para impedir que essas tarifas atinjam os produtos brasileiros”, disse.

Capital político

Nos bastidores, integrantes da oposição enxergam no episódio uma oportunidade para reforçar o discurso de que o governo Lula estaria isolando o Brasil de parceiros estratégicos do Ocidente.

A disputa narrativa ocorre antes mesmo de uma definição sobre a aplicação das tarifas. O governo dos EUA abriu prazo para manifestações e novas discussões antes da decisão final, prevista para julho.

Para o professor de Direito Eleitoral da PUC-SP Roberto Beijato Júnior, independentemente do desfecho, o tema tende a ser incorporado à estratégia eleitoral dos dois campos políticos.

Na avaliação do especialista, caso Trump recue da proposta após as conversas mantidas por Flávio Bolsonaro, o senador poderá apresentar o resultado como demonstração de influência política e capacidade de interlocução internacional. Por outro lado, se a sobretaxa for confirmada, os impactos econômicos da medida tendem a recair sobre o governo que atualmente ocupa o Palácio do Planalto.

“O tema será explorado eleitoralmente dos dois lados. Se houver recuo, Flávio pode capitalizar politicamente a interlocução com Trump. Se a tarifa for mantida, os efeitos econômicos acabam sendo cobrados do governo que está no poder”, avalia.

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postado em 03/06/2026 16:56 / atualizado em 03/06/2026 16:57
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