COLUNA Brasília-DF

O que preocupa a Câmara Legislativa

A perspectiva de delação do ex-presidente do BRB Paulo Henrique Costa preocupa muito mais os deputados distritais do que os federais

A perspectiva de delação do ex-presidente do BRB Paulo Henrique Costa preocupa muito mais os deputados distritais do que os federais. É que a maioria da turma de Brasília chancelou a compra do Master pelo BRB. A operação, vale lembrar, foi aprovada por 15 votos a sete, em primeiro turno, e 14 a sete no segundo, com a abstenção de Thiago Manzoni (PL). Agora, esses mesmos deputados terão que analisar a operação de salvamento do Banco Regional de Brasília. E o que se diz é que o discurso que eles podem adotar para tentar limpar a barra é dizer que foram "enganados" e trabalhar para salvar empregos e investimentos do DF em vez de fechar o banco e permitir que a Faria Lima tome conta de tudo.

Por falar em Câmara Legislativa... Até hoje a turma que aprovou a operação do BRB com o Master não assinou o pedido de criação de comissão parlamentar de inquérito para investigar o caso. Tal e qual ocorre no Congresso, a investigação legislativa foi barrada pelas excelências. Em ano eleitoral, ninguém quer dar palanque para adversários ou para um tiroteio entre governo e oposição. No caso da CLDF,
continua faltando apenas uma assinatura para fazer o pedido caminhar.

Fundos do Master sob mira

Com a entrada em vigor da classificação do Primeiro Comando da Capital e do Comando Vermelho como organizações terroristas, voltam à baila antigas gestoras de fundos de investimento que tiveram negócios com o Banco Master e terminaram liquidadas. No topo da lista, a Reag, flagrada na Operação Carbono Oculto, que identificou lavagem de dinheiro para o PCC.

E o Ibaneis, hein?

Quem acompanha de perto o caso Master/BRB no Judiciário diz que o ex-governador e pré-candidato ao Senado, Ibaneis Rocha (MDB), tinha tudo para ter cortado as asas de Paulo Henrique Costa antes que o então presidente do banco deixasse um rombo enorme no Banco Regional de Brasília.
Isso está sob análise, embora Ibaneis
não seja investigado.

Pix é inegociável

O presidente Lula vai aproveitar a reunião do G7, daqui a 10 dias, para reforçar o Pix. Não tem essa de trocar o sistema brasileiro, que é universal, por qualquer outro. E quem tentar fazer isso, será um "entreguista". Afinal, o que incomoda os outros países é que o Pix acabou por reduzir as transações com cartões de débito e, com isso, caiu também o lucro das operadoras norte-americanas. Faz parte do jogo tentarem reverter isso, mas não pode ser visto como "natural" o Brasil abrir mão do seu sistema.

Onde mora o perigo

Empresários mineiros estão para lá de preocupados com o novo tarifaço dos Estados Unidos. É que o município de Sete Lagoas será o maior prejudicado, se não houver uma revisão em relação ao ferro gusa. Em 2025, o minério respondeu por 49% das exportações totais da cidade. Deste percentual, 85% foram destinados aos Estados Unidos. Minas exportou para os EUA US$ 1 bilhão só em ferro gusa, conforme dados da Fiemg.

 


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