O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) conversou nesta quarta-feira (10/6), por videoconferência, com a presidente do México, Claudia Sheinbaum. Em nota, ambos reafirmaram o "princípio da não ingerência", citando o contexto atual.
Tanto México quanto Brasil foram alvo de medidas dos Estados Unidos que contrariam a legislação interna. Particularmente, a classificação de organizações criminosas como terroristas, o que, no caso do México, foi usado como pretexto para operações americanas no país vizinho.
"Por fim, (os presidentes) reafirmaram a importância e o valor que atribuem ao fortalecimento e à preservação do multilateralismo, do direito internacional, da democracia e do princípio da não ingerência, particularmente no complexo contexto global atual", diz a nota, divulgada pelo Ministério das Relações Exteriores (MRE). O documento não menciona os Estados Unidos.
O governo americano oficializou na sexta-feira passada (5) a classificação do PCC e do CV como organizações terroristas. O mesmo já ocorreu com cartéis mexicanos. A medida foi usada como pretexto para justificar operações em território mexicano, mesmo sem a autorização do governo de Sheinbaum, o que gerou tensão entre os dois países.
A presidente mexicana, inclusive, criticou publicamente, em abril, a participação de autoridades americana em uma operação antidrogas em Chihuahua, e disse que isso não deveria se repetir.
Lula e Sheinbaum também reafirmaram apoio a Cuba, um dos principais alvos do presidente americano, Donald Trump. O republicano já ameaçou, inclusive, agir para derrubar o atual governo cubano.
"Os dois mandatários confirmaram sua posição a favor do fim do embargo a Cuba e compartilharam sua preocupação com a grave situação humanitária no país caribenho", registra a nota do Itamaraty.
Cooperação entre Brasil e México
Na conversa, que durou cerca de 40 minutos, os chefes de Estado também discutiram temas da agenda bilateral, como no setor energético, que abrange desde biocombustíveis até uma eventual assinatura de acordo entre a Petrobras e a Petróleos Mexicanos (Pemex).
Citaram ainda o diálogo em áreas como saúde, turismo, governança pública, além de ações voltadas ao fortalecimento dos setores científico, tecnológico e de inovação em ambas as nações.
Lula e Sheinbaum também acordaram em realizar a VI Reunião da Comissão Binacional México–Brasil em breve, sem data definida. A comissão é o principal mecanismo de alto nível para o diálogo entre os dois países. Também reiteraram apoio à candidatura de Michelle Bachelet ao cargo de secretária-geral das Nações Unidas.
"México e Brasil são parceiros fundamentais na América Latina e no Caribe, cujo porte e relevância em termos de população, economia e projeção internacional constituem um motor de integração regional e de prosperidade compartilhada para seus povos", diz ainda a nota.
Além disso, Lula desejou "muito sucesso" a Sheinbaum na realização da Copa do Mundo, que começa amanhã (11).
