Caso Master

Jaques Wagner tentou atuar na compra do Master pelo BRB, aponta PF

Líder do governo no Senado também teria apresentado emenda para conceder empréstimo para beneficiários do BPC e atuado pela ampliação da margem consignável de trabalhadores CLT, interesses do banco de Daniel Vorcaro

Relatório da Polícia Federal aponta que o senador Jaques Wagner (PT-BA), líder do governo no Senado, tentou usar o mandato parlamentar para atuar na compra do Banco Master pelo Banco de Brasília (BRB). O documento foi enviado ao Supremo Tribunal Federal (STF) e motiva a operação desta quinta-feira (18/6) que mira o parlamentar.

De acordo com as investigações, Wagner teria utilizado o cargo de senador da República e seu papel de liderança no governo para defender temas de interesse do Master. Em relação ao banco distrital, as diligências apontam que foi identificada "atuação parlamentar voltada à fiscalização e controle da operação de potencial aquisição do Banco Master pelo Banco de Brasília (BRB)".

Além disso, o senador teria atuado para tentar aumentar os limites de cobertura de crédito do Fundo Garantidor de Crédito (FGC) e atuado para ampliar a margem consignável das remunerações de trabalhadores regidos pelo regime CLT, além de apresentar emenda para permitir a concessão de empréstimos a beneficiários do BPC (Benefício de Prestação Continuada) e outros programas de transferência de renda concedidos pelo governo federal.

Em troca, Jaques Wagner teria recebido vantagens indevidas, inclusive um apartamento no valor de R$ 3,5 milhões em Salvador. A investigação policial reúne diversos elementos informativos, dentre os quais se destacam mensagens eletrônicas, áudios, chamadas de voz, documentos contratuais, comprovantes de transferência, registros societários, metadados, planilhas de pagamentos e comunicações extraídas de aparelhos celulares apreendidos em fases anteriores da Operação Compliance Zero.

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