Caso Master

Alcolumbre defende presunção de inocência após operação contra Wagner

Presidente do Congresso afirma que investigações devem ocorrer dentro da lei e critica comemorações políticas antes da conclusão dos processos

O presidente do Congresso Nacional, senador Davi Alcolumbre (União-AP), defendeu, nesta quinta-feira (18/6), o respeito à presunção de inocência após a nova fase da Operação Compliance Zero, da Polícia Federal (PF), atingir o líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA).

Em entrevista coletiva, Alcolumbre afirmou que investigações contra autoridades são legítimas dentro do Estado Democrático de Direito, mas ressaltou que ninguém deve ser considerado culpado antes da conclusão dos processos judiciais.
O presidente do Congresso destacou a trajetória política de Jaques Wagner, e lembrou que o senador foi eleito pelo voto popular para exercer o mandato e atualmente ocupa uma das principais funções de articulação política do governo federal no Senado.
“Todos nesse país podem ser investigados, todos podem ter, por parte do Judiciário, algum questionamento. E isso é normal no Estado Democrático de Direito”, afirmou.
Alcolumbre também criticou a polarização política em torno de operações policiais e disse que parte dos parlamentares costuma celebrar investigações quando elas atingem adversários políticos.
“Talvez esteja muito cômodo hoje, para, quando uma operação da Justiça se dá em cima de um senador ou deputado do PL, os deputados e senadores do PT comemorarem. E hoje, talvez esteja muito cômodo também quando tem uma operação em senadores ou deputados do PT, os parlamentares do PL comemorarem”, declarou.
Segundo o presidente do Congresso, a reação adequada diante de investigações é aguardar o andamento dos processos e o trabalho das autoridades competentes. Ele afirmou que não considera correto transformar apurações em instrumentos de disputa política.
“Eu não comemoro nada contra a história de ninguém antes do trânsito em julgado de um processo nesse país”, disse.
Alcolumbre também lembrou que diversas autoridades foram alvo de forte exposição pública ao longo dos últimos anos e, posteriormente, conseguiram demonstrar sua inocência durante as investigações ou na tramitação judicial dos casos.
“Nesse país, muitas autoridades já foram vítimas dessa execração pública. E, no passar do tempo, a maioria delas provou que, no decorrer das investigações, conseguiu provar a sua inocência”, afirmou.

Alcolumbre também é questionado

O próprio Alcolumbre é alvo de questionamentos no Caso Master. Ele foi à tribuna do Senado, ontem (17), para negar que recebeu repasse de US$ 30 milhões, como publicado pela revista Veja. De acordo com o veículo, o pagamento foi revelado pelo próprio banqueiro em uma proposta de delação premiada, que acabou rejeitada pela PF e pela Procuradoria-Geral da República (PGR).
A declaração de hoje foi dada horas depois em que a nova fase da Operação Compliance Zero ampliou a repercussão política do caso Banco Master. Enquanto parlamentares da oposição cobraram a instalação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar o caso, governistas defenderam o respeito ao devido processo legal e à presunção de inocência dos investigados.
Até o momento, não há denúncia ou condenação contra Jaques Wagner relacionada aos fatos apurados nesta etapa da investigação, que segue sob supervisão do Supremo Tribunal Federal (STF).

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