Compliance Zero

Antes de operação da PF, Wagner negou elo do Caso Master com PT

O líder do governo no Senado já havia rebatido acusações da oposição e defendido a regularidade de operações associadas ao Banco Master

"A gênese está no governo Jair Messias Bolsonaro, não na Bahia", disse Wagner em discurso no Senado, em maio - (crédito: Jefferson Rudy/Agência Senado)

Antes de ser incluído entre os alvos da nova fase da Operação Compliance Zero, da Polícia Federal (PF), o senador Jaques Wagner (PT-BA), líder do governo no Senado, já havia ido à tribuna da Casa para rebater acusações da oposição envolvendo o Banco Master, o programa Credcesta, e a origem das investigações que hoje atingem empresários e agentes políticos.

Em pronunciamento realizado em maio deste ano, Wagner contestou a narrativa de parlamentares oposicionistas que atribuíam à Bahia e às gestões petistas a origem das suspeitas relacionadas ao Banco Master. Na ocasião, o senador argumentou que o crescimento da instituição financeira ocorreu durante o governo anterior.
“O trambique foi feito aqui, aos olhos do Banco Central, sobre a presidência do senhor Roberto Campos Neto. A gênese está no governo Jair Messias Bolsonaro, não na Bahia”, afirmou o parlamentar, durante discurso no Senado.
Na mesma manifestação, Wagner criticou tentativas de vincular automaticamente o partido e antigos governos baianos às investigações em curso. Segundo ele, a oposição estaria construindo uma narrativa política antes da conclusão das apurações.
“Eu não sou mais honesto que ninguém, mas tenho meu código de ética. Não tenho sequer CNPJ. Na Bahia não nasceu nenhum trambique. O escândalo nasceu no governo anterior, quando o Banco Central, que deveria fiscalizar, não fiscalizou e permitiu que se fizesse talvez o maior rombo da história bancária deste país”, concluiu o senador.
As declarações voltaram ao centro do debate nesta quinta-feira (18/6), após a Polícia Federal cumprir mandados de busca e apreensão autorizados pelo Supremo Tribunal Federal (STF) em uma nova etapa da Operação Compliance Zero. A investigação apura possíveis irregularidades envolvendo o Banco Master e empresários ligados ao grupo financeiro.
Além de contestar as acusações sobre a origem do caso, Wagner também já havia se manifestado sobre a venda da antiga rede Cesta do Povo, posteriormente associada ao programa Credcesta. O senador sustentou que a operação foi conduzida dentro da legalidade, e disse não enxergar irregularidades no processo.

Jaques disse estar "tranquilo"

Em entrevistas concedidas nos últimos meses, divulgadas pelo portal MundoBa o petista afirmou estar “tranquilo e calmo” em relação às investigações e declarou não teria receio de eventuais delações ou novos desdobramentos do caso.
“Trouxe primeiro um espanhol de uma empresa GVN, GNV, NVG… não me lembro mais o nome. Aí, teve uma negociação intensa, porque tinha muita dívida trabalhista, tinha as lojas — a maioria, o prédio não era nosso, era prédio alugado. Acabou fechando o negócio, obrigando eles a manter pelo menos cinquenta lojas abertas com o nome ‘Cesta do Povo’, pra não demitir o pessoal", afirmou, em entrevista à rádio Baiana FM.
"Depois, esse espanhol que estava no negócio resolveu sair do negócio. Foi aí que entrou esse Vorcaro com o Banco Máxima. Na época, não chamava Master, o nome do banco era Banco Máxima. E aí ele entrou com o dinheiro, que esse baiano não tinha, pra bancar a operação depois que o espanhol saiu. E virou depois o Banco Master”, continuou.
“Então, em relação a nós aqui, eu tô fora dessa confusão. Pergunta se tem algum dinheiro do governo da Bahia aplicado no Banco Master, como tem do Rio de Janeiro, do Amapá, de Brasília… Não tem uma banda de conto nossa", disse ainda o senador.
"Se ele delatar, eu acho ótimo. Eu tô aqui, ó: tranquilo e calmo. Aí o cara me perguntou: ‘o senhor é amigo do cara?’. Eu digo: eu negociei com o cara a venda da Cesta do Povo, que — vou repetir — não tem nada a ver com a trambicagem. A trambicagem hoje do Master, que bate em R$ 50, R$ 60, R$ 70 bilhões, é um bando de falcatrua feita lá com o BRB, vendendo título falso, não sei o quê… e tem muita gente debaixo da cama”, acrescentou Wagner.

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postado em 18/06/2026 14:40
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