Por Letícia Passos — Em meio à Copa do Mundo, a deputada federal Erika Hilton (PSol-SP) apresentou uma representação ao Ministério Público Federal (MPF) pedindo a adoção de medidas para impedir que comentaristas esportivos façam propaganda de apostas durante a transmissão de eventos esportivos.
No documento encaminhado ao órgão, a parlamentar sustenta que profissionais responsáveis pela análise das partidas estariam se valendo da autoridade e da confiança conquistadas junto ao público para incentivar a realização de apostas.
Segundo ela, essa prática ocorre, entre outras formas, por meio da divulgação de palpites e de odds, sistema utilizado pelas plataformas para calcular o retorno financeiro em caso de acerto do apostador.
“É inaceitável um comentarista usar a sua posição de especialista para induzir os telespectadores a apostarem”, afirmou.
A ação não menciona nomes de comentaristas, emissoras de televisão ou plataformas específicas. Ainda assim, Hilton questiona o modelo atual de divulgação das casas de apostas e defende que a publicidade do setor seja submetida a exigências mais rigorosas, com regras claras sobre transparência e identificação do conteúdo promocional.
No pedido encaminhado ao MPF, a deputada sustentou que a recomendação de apostas durante transmissões esportivas pode estimular comportamentos de risco e atingir especialmente públicos mais vulneráveis.
O texto cita dados sobre endividamento e dependência associados às plataformas de apostas e afirma que a prática representa uma ameaça à saúde pública, sobretudo entre jovens. "Como garantir o desenvolvimento nacional quando as pessoas estão deixando de comer para apostar?", questionou a parlamentar no documento.
Em outro trecho, Erika Hilton afirmou que as bets "representam exatamente o oposto dos valores defendidos na Constituição Federal" e criticou o que chama de "publicidade predatória" das plataformas.
"Como uma sociedade pode ser livre, justa e solidária quando a publicidade predatória das bets aprisiona mentes, corações e finanças?", diz a representação.
A deputada também voltou a criticar o crescimento do mercado de apostas esportivas no Brasil. Para ela, a expansão das bets tem relação com o aumento de problemas sociais, entre eles o endividamento e a dependência em jogos de azar. “Bet não é esporte. É jogo de azar”, declarou.
Críticas
Esta não é a primeira vez que a parlamentar demonstra sua posição contrária às bets. Em maio do ano passado, por exemplo, Hilton afirmou nas redes sociais que os jogos de azar on-line eram responsáveis por "destruir famílias" e viciar "crianças e adolescentes.
