
Lista indica suposta doação de R$ 3,2 milhões destinada à campanha de reeleição de Castro em 2022 - (crédito: Fernando Frazão/Agência Brasil)
O nome do ex-governador do Rio de Janeiro Cláudio Castro (PL) aparece em uma lista atribuída ao bicheiro Adilson Oliveira Coutinho Filho, conhecido como Adilsinho, apreendida pela Polícia Federal (PF) durante a 5ª fase da Operação Unha e Carne, deflagrada nesta quinta-feira (2/7).
Segundo a investigação, o documento menciona uma suposta doação de R$ 3,2 milhões destinada à campanha de reeleição de Castro em 2022. Apesar da citação, o ex-governador não é alvo das medidas cumpridas nesta etapa da operação.
De acordo com informações obtidas pela investigação, a lista reúne registros de supostos pagamentos indevidos, doações eleitorais e anotações financeiras que podem estar relacionadas a um esquema de lavagem de dinheiro envolvendo integrantes da contravenção e agentes públicos do estado do Rio de Janeiro.
Fontes ligadas ao caso afirmam que a Polícia Federal ainda aprofunda a análise do material apreendido antes de decidir sobre eventuais desdobramentos.
Cláudio Castro governou o Rio de Janeiro entre 2021 e 2026. Em 2026, renunciou ao cargo um dia antes do julgamento no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) que analisaria um processo de cassação de seu mandato. Ele foi condenado por abuso de poder político e econômico no pleito de 2022 e está inelegível.
Até o momento, não há medidas judiciais contra o ex-governador no âmbito da quinta fase da Operação Unha e Carne.
A reportagem procurou a assessoria de Cláudio Castro para comentar a citação de seu nome na documentação apreendida, mas não havia recebido manifestação até a publicação desta matéria. A defesa de Adilsinho, por sua vez, nega que o investigado tenha realizado pagamentos indevidos a agentes políticos.
Cúpula do jogo do bicho
A Operação Unha e Carne apura um esquema de lavagem de dinheiro ligado à cúpula do jogo do bicho e possíveis conexões entre integrantes da organização criminosa e agentes dos poderes Executivo e Legislativo do Rio de Janeiro.
Nesta quinta-feira, foi preso preventivamente o pastor e empresário Márcio Poncio, investigado por suposta ligação com a chamada "Máfia do Cigarro". Também foram expedidos mandados de prisão contra Adilsinho e o ex-deputado estadual Rodrigo Bacellar (União), que já se encontravam presos por desdobramentos anteriores da investigação.
Por determinação do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes, também foi autorizado o sequestro de bens e valores de até R$ 22 milhões. A decisão tem como base planilhas apreendidas na Operação Fumus, de 2021, que indicariam pagamentos periódicos a políticos fluminenses.
A atual fase da Operação Unha e Carne decorre de investigações sobre a atuação da Máfia do Cigarro, apontada pela PF como responsável pelo controle da comercialização de cigarros falsificados em grande parte dos municípios do estado do Rio de Janeiro.
Saiba Mais
Por Alícia Bernardes
postado em 02/07/2026 16:39

Política
Política