
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) participa nesta terça-feira (7/7), em Washington, de uma audiência pública promovida pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) para discutir as sobretaxas que poderão ser aplicadas a produtos brasileiros.
O parlamentar será o primeiro a falar no painel 8 da sessão, considerada a etapa final da investigação comercial aberta pelo governo norte-americano antes da decisão definitiva, prevista para 15 de julho.
Além de Flávio, também participarão do painel o ex-diretor-geral da Organização Mundial do Comércio (OMC) Roberto Azevêdo, representando a Confederação Nacional da Indústria (CNI), e Letícia Sperb Masselli, da Abicalçados. Ambos deverão apresentar argumentos de que a eventual taxação aumentará os custos das empresas brasileiras e poderá reduzir investimentos e empregos.
Em Washington, o senador afirmou que sua presença na audiência tem como objetivo defender os interesses das empresas brasileiras e contestou críticas feitas por integrantes do governo e aliados do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
“Eu estou aqui para defender os interesses do povo brasileiro, mesmo sem ser o presidente do Brasil, ainda. E vejo notícias dizendo que posso atrapalhar. […] O Lula já atrapalhou e vai ser difícil reverter o estrago que ele causou. E estou aqui, mesmo com a construção desta narrativa mentirosa contra mim. Não vou me omitir. E farei a minha parte para defender os interesses do povo brasileiro, sempre”, declarou.
Embora critique a gestão petista, as novas tarifas foram impostas ao comércio brasileiro após a ida do primogênito do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) aos EUA, quando pediu a classificação das facções criminosas PCC e CV como terroristas. No dia do anúncio das novas taxas, Donald Trump postou foto com o parlamentar agradecendo-o pela conversa.
Segundo Flávio, sua manifestação abordará aspectos técnicos e políticos relacionados à investigação comercial conduzida pelos Estados Unidos. O senador afirmou que defenderá a manutenção do Pix e argumentará que a adoção de tarifas prejudicaria tanto a economia brasileira quanto a norte-americana.
“Vim fazer a minha parte para defender o Brasil e evitar que os produtos brasileiros sejam tarifados. […] Vou defender o Pix, que foi criado no governo do presidente Bolsonaro, e promoveu a inclusão de milhões de brasileiros no sistema bancário, principalmente os mais humildes, que fazem agora o Pix com segurança e sem taxas. O Pix é sagrado para todos nós, brasileiros”, complementou.
O parlamentar também atribuiu ao governo Lula a responsabilidade pelo agravamento das relações comerciais com os Estados Unidos e disse que a atual condução da política externa favoreceria a imposição das tarifas.
“Tenho a convicção de que a postura de Lula ao não combater os narcoterroristas, de PCC e CV, foi decisiva para que o governo americano quisesse sancionar o Brasil. Então, é válido também o argumento político, que as coisas podem mudar no Brasil muito em breve. Enquanto eu defendo os brasileiros, Lula defende os bandidos brasileiros”, declarou.
De acordo com a assessoria do senador, a audiência pública no USTR é o canal institucional previsto pelo governo norte-americano para receber manifestações de representantes de governos, entidades e setores produtivos antes da definição sobre a adoção das sobretaxas. A decisão do governo dos Estados Unidos está prevista para o próximo dia 15 de julho.

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