Tarifaço de Trump

Itamaraty mantém negociações, mas vê resistência dos EUA a cinco dias do prazo

Governo brasileiro afirma seguir aberto ao diálogo, enquanto empresários dos dois países pressionam por novo acordo para impedir tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros

A manifestação do governo Lula ocorre após entidades empresariais brasileiras e norte-americanas divulgarem uma carta conjunta defendendo a retomada das negociações -  (crédito: Ricardo Stuckert / PR)
A manifestação do governo Lula ocorre após entidades empresariais brasileiras e norte-americanas divulgarem uma carta conjunta defendendo a retomada das negociações - (crédito: Ricardo Stuckert / PR)

A cinco dias do prazo final para um entendimento entre Brasil e Estados Unidos, o Ministério das Relações Exteriores afirmou nesta sexta-feira (10/7) que continua empenhado nas negociações para tentar evitar a aplicação de tarifas adicionais de 25% sobre produtos brasileiros exportados ao mercado norte-americano.

A manifestação do Itamaraty ocorre após entidades empresariais brasileiras e americanas divulgarem uma carta conjunta defendendo a retomada das negociações e alertando para os impactos econômicos que a medida pode provocar nos dois países.

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Em nota, o ministério destacou que o diálogo com as autoridades dos EUA já se estende há cerca de um ano e reiterou o compromisso do governo brasileiro com a defesa dos interesses nacionais. Segundo a pasta, as sugestões apresentadas pelo setor privado são bem-vindas e seguem sendo consideradas no processo de negociação.

Efeitos

Caso o tarifaço entre em vigor, os impactos podem atingir uma ampla gama de produtos nacionais. Estimativas da Confederação Nacional da Indústria (CNI) apontam que cerca de 4,2 mil itens brasileiros poderão ser afetados, incluindo produtos como ferro gusa, molduras de madeira e álcool etílico.

Na tentativa de evitar esse cenário, a CNI, a Câmara Americana de Comércio para o Brasil (AmCham Brasil) e a U.S. Chamber of Commerce encaminharam uma carta a autoridades dos dois países pedindo a continuidade das negociações. O documento foi direcionado ao ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, ao ministro da Indústria e Comércio, Márcio Elias Rosa, ao chefe do USTR, Jamieson Greer, e ao secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio.

No texto, as entidades ressaltam o caráter estratégico da relação entre Brasil e Estados Unidos nas áreas de comércio, investimentos, tecnologia e inovação, além de defenderem uma solução negociada que amplie a previsibilidade e fortaleça a confiança mútua.

Os representantes do setor privado também alertam que a adoção de tarifas adicionais pode gerar efeitos negativos para empresas, trabalhadores e consumidores de ambos os países, sustentando que avanços obtidos por meio do diálogo tendem a produzir resultados mais duradouros do que medidas tarifárias.

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postado em 10/07/2026 12:20
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