
Pré-candidato ao Palácio do Planalto, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) está recalibrando a estratégia de comunicação para os próximos dias. Um dos primeiros testes dessa nova postura ocorreu durante a conversa que manteve com embaixadores, quando voltou a mencionar uma informação falsa sobre as urnas eletrônicas.
Apesar do episódio, aliados afirmam ao Correio que a orientação é ajustar o discurso e aproximá-lo do estilo adotado pelo ex-presidente Jair Bolsonaro, especialmente na forma de dialogar com a base conservadora. O filho mais velho do ex-chefe do Executivo tem ouvido de integrantes da campanha que o tom mais moderado, defendido pela cúpula responsável pela estratégia eleitoral, não tem produzido o efeito esperado junto ao eleitorado.
A avaliação é de que a postura excessivamente cautelosa dificulta a mobilização da militância e reduz a capacidade de ocupar espaço no debate político, sobretudo nas redes sociais, onde o bolsonarismo tradicionalmente concentra parte significativa de sua força.
À reportagem, Valdemar Costa Neto, presidente da sigla, citou que é preciso aguardar o ex-mandatário definir a vaga de vice na chapa de Flávio, além de pontuar que "era preciso de um pouco mais de tempo para ele [Flávio] ter sua candidatura lançada", referindo-se a um despreparo do filho '01' do Bolsonaro.
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Nos bastidores, interlocutores afirmam que a intenção não é promover uma ruptura completa com a estratégia adotada até aqui, mas encontrar um ponto de equilíbrio entre a imagem de um candidato institucional e a capacidade de manter o eleitorado mais fiel engajado. A leitura é de que Flávio precisa preservar o discurso voltado ao centro sem perder a identidade política construída ao lado do pai ao longo dos últimos anos.
A mudança ocorre em um momento de reorganização da pré-campanha presidencial. Desde que Jair Bolsonaro passou a cumprir prisão domiciliar, lideranças do PL intensificaram as discussões sobre a transferência de protagonismo político para Flávio, considerado pelo partido o principal herdeiro do capital eleitoral do ex-presidente. Paralelamente, a legenda ainda negocia a composição da chapa, com a definição da candidatura a vice sendo tratada como uma decisão que ficará sob responsabilidade de Bolsonaro.
Integrantes da direção do partido também avaliam que a comunicação da pré-campanha precisará combinar pautas de costumes, bandeiras conservadoras e temas econômicos, buscando ampliar o alcance para além do núcleo mais fiel do bolsonarismo. A estratégia inclui reforçar críticas ao governo federal e explorar assuntos de repercussão nacional sem abrir mão da narrativa construída pelo grupo político desde 2018.

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