Crise diplomática

Itamaraty vê agravamento inédito da crise entre Brasil e Argentina

Diplomatas afirmaram ao Correio que consultas a embaixador não têm precedente bilateral

Milei disse no fim de semana em viagem ao Brasil que Lula financia uma suposta
Milei disse no fim de semana em viagem ao Brasil que Lula financia uma suposta "campanha anti-argentina" e o chamou de "presidiário" - (crédito: Ricrado Stuckert/Secom)

O governo brasileiro chamou o embaixador do Brasil na Argentina para consultas após as declarações do presidente argentino, Javier Milei, durante a convenção nacional do PL, realizada nesse fim de semana, em São Paulo. No Itamaraty, a avaliação é de que o episódio representa uma escalada sem precedentes da crise diplomática entre os dois países.

Questionada pelo Correio se a subida de tom de Milei agravaria a relação bilateral, uma fonte do alto escalão do Ministério das Relações Exteriores foi categórica: "Já agravou". Segundo o diplomata, a convocação do embaixador brasileiro na Argentina para consultas não tem precedentes na história da relação bilateral entre os dois países.

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A convocação do chefe da missão diplomática brasileira para consultas, que devem ser feitas ainda hoje, é um dos instrumentos mais "duros" da prática diplomática antes de medidas mais severas. Embora não represente o rompimento das relações bilaterais, o gesto sinaliza, de acordo com um auxiliar do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no Planalto, uma forte insatisfação do governo brasileiro com a postura adotada pela administração de Milei.

No Itamaraty, a percepção é de que a medida reflete o aprofundamento do desgaste entre Brasília e Buenos Aires em um momento de sucessivos ataques do presidente argentino ao governo Lula, ao mesmo tempo em que faz acenos ao senador e pré-candidato ao Planalto, Flávio Bolsonaro (PL-RJ), filho 01 do ex-presidente Jair Bolsonaro — preso por tentativa de golpe de Estado em janeiro de 2023. A avaliação entre diplomatas é que a decisão marca um ponto de inflexão na relação entre os dois principais sócios do Mercosul.

Ilações

O presidente da Argentina, Javier Milei, voltou a criticar o Brasil nesse domingo (26), ao acusar, sem apresentar provas, que o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) financiaria uma suposta "campanha anti-argentina".

As declarações ocorreram um dia após o ultraliberal chamar o petista de "presidiário" durante a convenção nacional do PL, em São Paulo, e aprofundar a crise diplomática entre os dois países. 

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AH
postado em 27/07/2026 11:05 / atualizado em 27/07/2026 11:22
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