Mensagens obtidas pela Polícia Federal, a partir de celulares apreendidos com Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, apontam que o executivo, junto com um de seus aliados, Thiago Miranda, tentou calar a jornalista Malu Gaspar após a profissional publicar reportagens que apontavam que a empresa não teria condições de honrar compromissos financeiros assumidos.
Os diálogos datam de abril do ano passado. As investigações apontam que Malu, colunista do jornal O Globo, foi vigiada de perto. Miranda enviou a Vorcaro informações sobre contas bancárias da profissional, placa do carro pessoal e detalhes sobre os familiares. Vamos ter que tentar pegar algo dessa mulher no pessoal", disse Vorcaro. No entanto, na devassa, as próprias mensagens apontam que nada que desabonasse a jornalista foi encontrado.
"Meu time está atrás. Precisamos achar algo", escreveu Miranda na manhã do dia 1º de abril. "Nem multa na CNH dela encontrei. Filhos novos ainda também. Te deixo ciente, vou achar algo", completou ele.
No entanto, após não encontrar nenhum fato para atacar a imagem da jornalista, a estratégia passou em tentar contratar a profissional. Daniel Vorcaro fala em oferecer uma "proposta milionária" para Malu. Thiago Miranda então afirma que ela deveria ser contratada pela revista IstoÉ, que faz parte do grupo Entre, que controla a Entre Investimentos, a empresa usada por Vorcaro para investir no filme "Dark horse", que tratou da vida do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Os diálogos mostram que Malu chegou a ser abordada e recebeu a proposta. No entanto, Miranda comenta que Malu agiu com "mais fúria após a abordagem", citando o aumento de reportagens relacionadas à falta de liquidez do Master, que na época estava sendo negociado para ser comprado pelo Banco de Brasília (BRB).
Leia mais: Operação da PF mira pessoas ligadas ao deputado Sóstenes Cavalcante
Em nota, o jornal O Globo afirmou que "repudia a devassa ordenada pelo investigado na vida da colunista Malu Gaspar, uma das mais respeitadas jornalistas do país." Ainda de acordo com o veículo, "a ação, como deixa claro a troca de mensagens, visava calar a voz da imprensa e revela um modus operandi do grupo criminoso, que já havia ameaçado de ato violento outro colunista do jornal".
Saiba Mais
-
Política PGR se manifesta pela manutenção de prisão domiciliar de Bolsonaro
-
Política Mendonça envia à PGR pedido para investigar filme sobre Bolsonaro
-
Política Moraes manda PGR e defesa se manifestarem novamente sobre arma de Bolsonaro
-
Política Câmara dos Deputados aprova urgência de PL que criminaliza a misoginia
