Transposição

'O Rio São Francisco não pertence a um estado, mas ao Brasil', diz Lula

Presidente afirmou que decisão de levar água ao semiárido foi política de Estado e criticou desigualdades históricas no Nordeste

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta quinta-feira (2/7) que a transposição do Rio São Francisco representa uma decisão de alcance nacional, e não regional. Durante agenda no Ceará e no Rio Grande do Norte, ele voltou a defender a obra como uma das principais intervenções hídricas do país, e disse que o projeto só avançou após uma decisão política de Estado.

Lula destacou que a iniciativa de levar água ao semiárido nordestino é histórica e remonta ao século XIX. Segundo ele, a proposta foi pensada ainda no período imperial, mas não avançou por décadas devido à falta de consenso político entre governantes.
Ele disse que, por anos, alguns governadores concordavam com a transposição, enquanto outros não, e o projeto não avançava. “Desde 1846, Dom Pedro II queria levar água do São Francisco para quatro estados do Nordeste, no semiárido, mas nunca permitiram. Quando tomei posse, decidi: o Rio São Francisco não pertence a nenhum estado, pertence ao Brasil e ao povo brasileiro”, declarou.
Ele também fez críticas à desigualdade histórica da região. “Por que fiz essas viagens? Porque, historicamente, o Nordeste foi tratado com desprezo pelos governantes deste país. Sempre que eu lia dados do IBGE (Instituto Brasileiro de geografia e Estatística), do Ministério da Educação ou do Banco Mundial, as manchetes eram: o Nordeste é a região com mais crianças e adultos analfabetos, com mais crianças desnutridas e com menos doutores e mestres”, disse.

Uma das maiores obras do mundo

Ele também afirmou que o projeto envolve uma ampla rede de canais e adutoras e classificou a iniciativa como uma das maiores obras hídricas do mundo. Lula disse ainda que só considerará o trabalho concluído quando forem finalizadas as últimas etapas no Ceará. “Só ficarei tranquilo quando inaugurar o Cinturão das Águas em Fortaleza para concluir definitivamente o problema hídrico no Ceará. É uma obra feita para ajudar a parte mais pobre do Brasil", enfatizou.
O presidente afirmou ainda que, embora a seca seja um fenômeno natural, os efeitos sociais da estiagem são consequência de decisões políticas. “A seca é um fenômeno da natureza, mas a fome por causa da seca é um fenômeno de irresponsabilidade de quem governa”.

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