A divulgação de uma fotografia em que o senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) aparece ao lado de Luiz Phillipi da Costa de Oliveira, conhecido como “Sicário”, investigado pela Polícia Federal na Operação Compliance Zero, levou lideranças da oposição no Congresso Nacional a saírem em defesa do parlamentar. O episódio se soma a uma série de desgastes enfrentados pela campanha nos últimos meses e mobilizou integrantes do PL na tentativa de conter os efeitos políticos da repercussão.
Desde que a imagem veio a público, parlamentares aliados têm sustentado que o registro, por si só, não comprova qualquer relação entre Flávio e o investigado. A linha adotada pela oposição é a de que políticos costumam ser fotografados diariamente com apoiadores e participantes de eventos sem conhecer a identidade ou o histórico de cada pessoa que solicita uma foto.
- Leia também: Flávio fala sobre foto com Sicário: "Não tem como eu saber quem é a pessoa"
- Leia também: PT acusa família Bolsonaro de "traição" e chama taxa dos EUA de "TariFlávio"
Líder da oposição na Câmara, o deputado Cabo Gilberto Silva (PL-PB) afirmou que não enxergar impacto político no episódio e chegou a questionar a autenticidade da imagem divulgada.
“Zero problema com relação a isso, zero, até porque essa foto aí tem tudo a ser inteligência artificial. E mesmo que não fosse, eu mesmo tiro foto com várias pessoas todos os dias, uma foto não quer dizer nada. Pelo menos da forma que foi passada aí. Se eu tivesse pegado uma foto da tua festa em um local promíscuo, alguma coisa do tipo, fazendo algo ilegal, nessa linha aí tudo bem, teria defesa. Mas até agora isso aí foi um portal de esquerda que colocou. Muito tranquilo com a nação, zero problema”, declarou ao Correio.
No Senado, o líder da oposição, Izalci Lucas (PL-DF), adotou argumento semelhante. Para ele, a rotina da atividade política torna inevitável o registro de imagens com pessoas desconhecidas.
“Nós políticos tiramos fotos com todo mundo. Ninguém se identifica para pedir uma foto. Todos nós estamos sujeitos a isso”, afirmou.
A imagem passou a circular em meio a um momento delicado da campanha de Flávio Bolsonaro. Nas últimas semanas, o pré-candidato precisou administrar sucessivas crises, incluindo a repercussão de áudios relacionados ao banqueiro Daniel Vorcaro, divergências internas no campo bolsonarista e embates envolvendo a ex-primeira dama Michelle Bolsonaro. Embora a direção do PL tenha buscado minimizar os impactos desses episódios, integrantes da legenda reconhecem reservadamente que o acúmulo de desgastes passou a exigir uma atuação mais coordenada da bancada em defesa do senador.
Nos bastidores, fontes ouvidas pela reportagem sob reserva afirmam que “existe preocupação” entre aliados com a possibilidade de surgirem novos vídeos, fotografias ou outros materiais capazes de produzir desgaste político durante a campanha. Segundo esses relatos, a apreensão é maior em razão do calendário eleitoral: após as convenções partidárias, a substituição de uma candidatura torna-se mais complexa do ponto de vista jurídico e político.
Apesar disso, integrantes do PL avaliam que a estratégia será manter o discurso de que os ataques fazem parte da disputa eleitoral e reforçar a narrativa de que não há elementos que vinculem Flávio Bolsonaro às atividades investigadas pela Polícia Federal. A orientação entre parlamentares aliados é evitar alimentar “novas controvérsias” e concentrar esforços na defesa pública do presidenciável, que segue como principal aposta do partido para a sucessão presidencial de 2026.
Saiba Mais
-
Política Lula 'priorizou próprio ego em detrimento de acordo' e não 'negociou com os EUA de boa fé': o ataque de ministro de Trump após tarifaço
-
Política Genial/Quaest: Caso Master pesa sobre Lula, clã Bolsonaro e instituições
-
Política Genial/Quaest: Flávio Bolsonaro perde apoio entre eleitores da direita
