O departamento jurídico da pré-campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) protocolou, nesta quinta-feira (30/7), uma representação no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) contra uma suposta rede coordenada de perfis que, segundo os partidos da Federação Brasil da Esperança (PT, PCdoB e PV), utiliza inteligência artificial para produzir e disseminar conteúdos ofensivos contra o presidente e o Partido dos Trabalhadores.
De acordo com a representação, o grupo seria formado por perfis apócrifos que produzem, em larga escala, vídeos, imagens e outros materiais gerados por inteligência artificial com o objetivo de desgastar a imagem de Lula e do PT. O material, segundo o documento, é amplificado por meio de publicações colaborativas ("collabs") com parlamentares e figuras públicas da extrema direita, entre eles o pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL), além dos parlamentares e pré-candidatos Gustavo Gayer, Mário Frias, Gilvan Costa e André Marinho.
Ainda conforme a ação, a estrutura funcionaria também como um modelo de negócios. O documento afirma que há mecanismos de arrecadação por meio de Pix e criptomoedas, além de uma escola voltada ao ensino da produção de vídeos com inteligência artificial. A representação também aponta a publicação em massa de jingles gerados por IA na plataforma TikTok, que, segundo os autores da ação, teriam a finalidade de influenciar a opinião pública por meio da degradação da imagem de Lula e do partido.
O mapeamento realizado pelo jurídico da campanha presidencial afirma que o ecossistema reúne milhares de publicações e milhões de interações nas redes sociais. Com base nesse levantamento, os partidos solicitaram ao TSE a adoção de medidas imediatas, incluindo a remoção de todos os links identificados na representação, tanto de publicações no Instagram quanto de jingles publicados no TikTok, a identificação dos responsáveis pelos perfis e a suspensão da monetização das contas envolvidas.
Segundo a representação, a rede é composta por pelo menos 32 perfis que, juntos, somam 1.464.245 seguidores e 23.828 publicações. O documento acrescenta que, ao considerar também os perfis das figuras públicas citadas na ação, o alcance potencial ultrapassa a marca de 10 milhões de seguidores.
