Tensão diplomática

Governo Lula vê ruptura de rito diplomático em pressão dos EUA por agrément

Para integrantes da gestão petista, a iniciativa representa uma inversão da lógica diplomática consolidada pela Convenção de Viena

A avaliação ganhou força após o departamento de Estado de Donald Trump restringir o visto da embaixadora do Brasil em Washington -  (crédito:  AFP)
A avaliação ganhou força após o departamento de Estado de Donald Trump restringir o visto da embaixadora do Brasil em Washington - (crédito: AFP)

Interlocutores do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) avaliam que a pressão exercida pelos Estados Unidos para acelerar a aprovação do agrément do embaixador indicado por Washington representa uma ruptura com a prática diplomática adotada entre os dois países ao longo de décadas.

Na avaliação de integrantes do governo, a iniciativa inverte a lógica prevista pela Convenção de Viena sobre Relações Diplomáticas ao condicionar uma medida contra a embaixadora brasileira em Washington ao andamento do processo de autorização do representante norte-americano em Brasília.

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Segundo auxiliares da administração petista, o rito diplomático estabelece que o país interessado em nomear um embaixador deve, antes de oficializar a indicação, obter o consentimento do Estado que receberá o diplomata. O entendimento no Palácio do Planalto é de que a concessão do agrément é uma prerrogativa soberana do país anfitrião, sem prazo definido e sem obrigação de justificar eventual negativa.

Nas hostes palacianas, auxiliares de Lula afirmam não haver registro recente de um governo norte-americano que tenha condicionado publicamente o processo de agrément a medidas de natureza diplomática. Eles ressaltam que nem mesmo durante o primeiro mandato de Donald Trump houve tentativa semelhante de pressionar o Brasil antes da conclusão da análise do nome indicado para a embaixada em Brasília.

Na avaliação desses membros da gestão brasileira, a embaixada dos Estados Unidos no Brasil sequer figurava entre as prioridades de Washington até recentemente, o que reforça a percepção de que a atual movimentação está inserida no contexto de tensão política entre os dois países.

A avaliação ganhou força após o departamento de Estado trumpista restringir o visto da embaixadora do Brasil em Washington, Maria Luiza Viotti. Ao anunciar a medida, o braço político ligado ao Maga (Fazer América Grande de Novo, em tradução livre), movimento extremista, mencionou, entre as justificativas, a demora na concessão do agrément ao diplomata indicado pelo presidente Donald Trump para chefiar a representação dos Estados Unidos no Brasil.

  •  US President Donald Trump speaks during a Rose Garden Club event on the Rose Garden of the White House in Washington, DC, on July 6, 2026. (Photo by Mandel NGAN / AFP)
    A avaliação ganhou força após o departamento de Estado de Donald Trump restringir o visto da embaixadora do Brasil em Washington Foto: AFP
  • Lula e Trump
    Lula e Trump Foto: Caio Gomez
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    Lula e Trump Foto: AFP
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AH
postado em 06/08/2026 11:05 / atualizado em 07/08/2026 10:42
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