
Ao definir relatorias e destravar o andamento de pautas como o fim da escala 6x1, o Redata e a MP das Blusinhas, o presidente do Congresso Nacional, senador Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), faz um gesto público que reforça a reaproximação com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Nas hostes palacianas, a avaliação é de que a escolha, nesta quinta-feira (27/8), de senadores que buscam a reeleição para comandar a análise de projetos considerados prioritários pelo governo Lula funciona como uma espécie de “vitrine” eleitoral. A estratégia permite que os parlamentares ganhem protagonismo em discussões de apelo junto ao eleitorado e, consequentemente, ampliem a exposição às vésperas da disputa nas urnas.
Entre os escolhidos estão a senadora Leila do Vôlei (PDT-DF), escalada para relatar a MP das Blusinhas, e Cid Gomes (PSB-CE), que ficará responsável pelo PL do Redata. Os dois tentam renovar os mandatos em outubro, embora estejam em situações distintas na corrida eleitoral de seus estados.
No Distrito Federal, a pesquisa Quaest divulgada na última terça-feira (25) coloca Leila na segunda posição, com 17% das intenções de voto. A liderança é da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL), com 25%. Erika Kokay (PT) aparece com 12%, seguida por Bia Kicis (PL), com 9%. Como duas cadeiras estarão em disputa, o desempenho mantém a pedetista, neste momento, entre os nomes mais competitivos para o Senado. O levantamento ouviu 1.104 eleitores entre 21 e 24 de agosto e tem margem de erro de três pontos percentuais.
No Ceará, Cid chega à relatoria do Redata em situação mais confortável. Pesquisa Real Time Big Data divulgada em 20 de agosto mostra o senador na liderança, com 27% das intenções de voto. Capitão Wagner (União Brasil) e Luizianne Lins (Rede) aparecem na sequência, empatados com 21%. Foram ouvidos 1.600 eleitores entre os dias 15 e 19 de agosto, com margem de erro de dois pontos percentuais. Outro levantamento, do Ipsos-Ipec, também divulgado no dia 20, colocou Cid à frente, com 26%, contra 19% de Wagner e 15% de Luizianne.
O movimento também é interpretado por interlocutores do Planalto como mais um sinal da melhora na relação entre Lula e Alcolumbre. Depois de um período de ruídos entre o Executivo e o comando do Congresso, os dois passaram a acumular acenos públicos e rodadas de conversas.

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