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Lulinha é alvo de novo inquérito; presidenciáveis disparam contra Lula

Empresário será investigado por tráfico de influência, desta vez relacionado à Dataprev. Pré-candidatos ao Planalto criticam chefe do Executivo

O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou a abertura de um novo inquérito para apurar um suposto caso de tráfico de influência de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha. Desta vez, o foco seria uma possível atuação do filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em contratos junto à Dataprev, empresa de tecnologia do governo federal.

Na quinta-feira, Mendonça deu aval à Polícia Federal para abrir inquérito contra Lulinha por suspeita de tráfico de influência e corrupção na autorização da comercialização de cannabis medicinal por meio de programas do Ministério da Saúde.

Ambas as investigações ocorrem no âmbito do processo que apura supostas fraudes no INSS (Instituto Nacional do Seguro Social). A suspeita é de que, assim como no caso envolvendo o Ministério da Saúde, um empresário teria atuado em conjunto com Lulinha e o lobista Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como "Careca do INSS", para tentar firmar contratos com o Executivo.

Já o primeiro inquérito busca apurar se o filho do presidente Lula teria atuado para favorecer uma empresa de cannabis medicinal ligada ao lobista. De acordo com a representação da Polícia Federal, Lulinha é investigado por suposta atuação ao lado da empresária Roberta Luchsinger em benefício da empresa World Cannabis.

Horas antes da nova decisão de Mendonça, o advogado Marco Aurélio de Carvalho, que defende Lulinha, classificou, em entrevista ao Correio, a instauração do procedimento como uma "pesca probatória", sustentando que não existem indícios capazes de justificar a apuração.

Presidenciáveis

As investigações contra Lulinha abrem nova frente de desgaste político para Lula. Antes de saberem do novo inquérito, pré-candidatos ao Palácio do Planalto já destacavam a ofensiva contra o filho mais velho do chefe do Executivo.

Nomes da oposição utilizaram o caso para reforçar críticas ao governo e defenderam que as investigações avancem sem distinção entre autoridades e seus familiares.

Em entrevista ao Correio, o ex-governador de Minas Gerais e candidato à Presidência pelo Novo, Romeu Zema, afirmou que o episódio deve produzir efeitos na disputa eleitoral de 2026. Para ele, investigações envolvendo familiares de agentes públicos contribuem para aumentar o desgaste da classe política perante a população.

"Tenho certeza de que isso vai influenciar, sim. O que temos acompanhado ultimamente em Brasília é uma realidade em que muitos políticos vivem no luxo, enquanto o povo vive no lixo. E isso inclui familiares de políticos", disparou. "Temos o filho do presidente Lula envolvido e investigado em escândalos, além de casos como o de esposa de ministro assinando contratos de R$ 129 milhões. É uma vergonha", declarou.

Ao comparar sua gestão em Minas Gerais com o cenário nacional, Zema afirmou que adotou uma política de afastamento de familiares da administração estadual. "Em sete anos como governador de Minas Gerais, não chamei nenhum parente para trabalhar comigo. Inclusive, meus próprios filhos retiraram o sobrenome Zema para evitar qualquer possível privilégio em suas vidas profissionais", argumentou.

Na avaliação de Zema, o país precisa renovar seus representantes. "Precisamos colocar brasileiros de bem em Brasília", concluiu.

Outro candidato ao Planalto, o ex-governador de Goiás Ronaldo Caiado (PSD) também explorou politicamente o episódio. Em publicação nas redes sociais, afirmou que o caso retrata uma suposta prática recorrente do PT de proteger familiares.

"Esse é o retrato da novela política chamada PT, em cartaz há décadas sempre com o mesmo enredo, sempre com os mesmos personagens. É uma monarquia disfarçada de República, onde o rei protege o príncipe", escreveu.

Na sequência, Caiado fez referência à postura que, afirma, adotaria caso um familiar fosse alvo de investigação. "Estou falando de Lula e Lulinha, mas pode ser interpretado como outro pai que protege outro filho. Já passou da hora de acabar com essa farsa!", publicou.

Também pré-candidato à Presidência, Renan Santos (Missão) disse que a investigação reforça suspeitas já levantadas em outras apurações envolvendo o filho do presidente e relembrou antigas controvérsias relacionadas à trajetória empresarial de Lulinha.

Em entrevista na quinta-feira ao podcast Inteligência Ltda., Lula afirmou que não pretende interferir na atuação das autoridades caso um de seus filhos seja investigado.

"Se o meu filho for acusado de qualquer coisa, ele será tratado como filho de qualquer pessoa. É o certo. Não haverá nenhum privilégio. Eu jamais pedirei para um delegado ou para um juiz não fazer as coisas corretas", frisou. (Com redação do Correio e Alícia Bernardes)

 

 

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