
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou, nesta quinta-feira (30/7), que o filho, o empresário Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, não terá tratamento privilegiado por conta do cargo público do pai. Em entrevista ao podcast Inteligência Ltda., Lula disse que não usará sua posição para interferir em eventuais investigações.
"Se o meu filho for acusado de qualquer coisa, ele será tratado como filho de qualquer pessoa, como eu. Não haverá nenhum privilégio. Eu jamais pedirei a um delegado ou juiz para não fazer as coisas corretas. Se ele estiver certo, terá a minha ajuda. Se fizer coisa errada, ele sabe o que eu passei", afirmou.
O presidente confirmou que o filho está na Espanha e descartou a possibilidade de fuga, afirmando que ele retornará ao país caso seja necessário responder à Justiça. "Ele não tem o direito de errar. Ele jura todo dia que, se for julgado, virá para cá. Não vai ficar escondido. Não vou utilizar meu cargo para protegê-lo. Ele vai ter que provar que é inocente, como eu provei. E, se for culpado, vai ter que pagar o que todo mundo paga quando erra", disse.
Lula também criticou a Operação Lava Jato, ao afirmar que a investigação teve impactos pessoais em sua família. "Ele sabe o que é ver um pai de cinco filhos vendo a televisão chamar a família de ladrão o tempo todo. Ele sabe que a minha mulher morreu por causa da desgraça da Lava Jato", declarou.
Mais cedo, a Polícia Federal abriu inquérito para apurar suspeitas de tráfico de influência e corrupção envolvendo Lulinha, em processos ligados à autorização para comercialização de cannabis medicinal no Ministério da Saúde.
Segundo a corporação, o empresário teria atuado em parceria com Roberta Luchsinger e o lobista Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como "Careca do INSS". O grupo teria operado no mercado de canabidiol em favor da empresa World Cannabis, ligada a Antunes.
Entenda o caso
Fábio Lula da Silva e Roberta negaram atuar no mercado de cannabis e de realizar qualquer tentativa de beneficiar a empresa World Cannabis. Os advogados do filho do presidente Lula, disseram, anteriormente, que o cliente "tampouco recebeu convite para associação, participação ou compra de cotas". No entanto, admitiram que ele teve uma viagem a Portugal paga pelo Careca do INSS em 2024.
Roberta Luchsinger afirmou que prestou consultoria para o Careca do INSS na área de cannabis, mas que o contrato não tratou do comércio de nenhuma substância. Lulinha teria atuado em prol da empresa junto ao Ministério da Saúde e a Presidência da República.
No documento enviado ao Supremo, os investigadores pedem o compartilhamento de informações já coletadas na Operação Sem Desconto, que investiga fraudes no INSS. No entanto, os investigadores apontam que a situação é alheia aos descontos ilegais em benefícios de aposentados e pensionistas da Previdência, mas tem conexão em razão dos envolvidos.

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