A Agência Nacional do Cinema (Ancine) instaurou um processo administrativo para investigar a produtora Go Up Entertainment, responsável pelo filme Dark Horse, cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro. A apuração foi aberta após o órgão identificar indícios de que parte das filmagens ocorreu em território brasileiro sem a comunicação prévia exigida pela legislação para produções estrangeiras.
De acordo com as normas que regulamentam o setor audiovisual, obras classificadas como estrangeiras devem informar previamente à Ancine sobre a realização de gravações no país. Entre os documentos exigidos estão os contratos firmados entre a produtora internacional e empresas brasileiras, além de um plano detalhando as atividades previstas durante a produção no Brasil.
Segundo informações disponíveis pela própria empresa, a Go Up Entertainment tem sede na Califórnia, nos Estados Unidos. O longa é produzido em inglês e tem direção do cineasta norte-americano Cyrus Nowrasteh, que também assina o roteiro ao lado de Mark Nowrasteh e do deputado federal Mário Frias (PL-SP).
A Ancine informou que tentou contato com a produtora em duas oportunidades para solicitar esclarecimentos sobre o caso, mas não obteve retorno. Com a abertura formal do processo administrativo, a empresa poderá apresentar defesa antes da conclusão da análise.
Caso a irregularidade seja confirmada, a produtora poderá ser penalizada com multa administrativa que varia entre R$ 2 mil e R$ 100 mil, conforme previsto na regulamentação do setor audiovisual. A decisão dependerá da análise da documentação e das justificativas eventualmente apresentadas pela empresa.
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O filme Dark Horse já esteve no centro de controvérsias neste ano. A produção ganhou repercussão após a divulgação de mensagens envolvendo o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o empresário Daniel Vorcaro, relacionadas ao financiamento da obra.
No mesmo período, Karina Gama Ferreira, proprietária da Go Up Entertainment, passou a ser investigada pela Polícia Civil de São Paulo em um inquérito que apura suspeitas de fraude em licitações ligadas ao programa WiFi Livre SP, da Prefeitura de São Paulo.
