O pedido de cassação da chapa de Flávio Bolsonaro (PL) apresentado pela campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) abriu uma nova frente de confronto entre os dois principais candidatos à Presidência. A representação acusa o senador de abuso de poder econômico durante participação na Festa do Peão de Barretos, em São Paulo, e também inclui o candidato a vice, Alfredo Gaspar (PL).
O presidente do PL, Valdemar Costa Neto, classificou a iniciativa como uma tentativa de retirar Flávio da disputa por meio da Justiça Eleitoral. Em entrevista ao Correio nesta segunda-feira (31/8), ele afirmou que não vê irregularidade no episódio.
“Bobagem, não tem ilegalidade. O PT, vendo que a eleição está perdida, quer ganhar no tapetão”, disse Valdemar.
A ação apresentada pela coligação Brasil Pronto para Mais sustenta que Flávio não participou da festa apenas como espectador. Segundo os partidos, o candidato teria utilizado a estrutura do evento privado para promover sua candidatura, em uma situação que poderia ser caracterizada como abuso de poder econômico e até como uma espécie de “showmício” disfarçado.
O episódio ocorreu em 22 de agosto. Flávio foi levado ao palco principal da Festa do Peão de Barretos e apresentado como candidato à Presidência. A campanha de Lula afirma que a estrutura montada para o evento, patrocinada por empresas privadas e diante de um público estimado em cerca de 60 mil pessoas, teria sido utilizada para dar exposição eleitoral ao candidato sem que os custos correspondentes fossem contabilizados como despesas de campanha.
O líder do PL no Senado, Izalci Lucas (DF), afirmou à reportagem que não vê risco para a candidatura de Flávio e classificou a ação como uma tentativa de judicialização da eleição.
“Não vejo qualquer razão para falar em risco à candidatura de Flávio Bolsonaro à Presidência da República. O que existe é uma ação apresentada pela campanha de Lula, baseada em uma interpretação política e jurídica de um episódio ocorrido na Festa do Peão de Barretos”, definiu.
Abuso de recursos
Do outro lado, o PT afirma que a representação foi apresentada porque considera haver elementos suficientes para justificar a investigação e eventual punição. Vice-líder do partido na Câmara, a deputada Maria do Rosário disse ao Correio que a campanha de Lula pretende demonstrar ao TSE que houve utilização de poder econômico em favor da candidatura de Flávio.
“O TSE é que vai julgar se há elementos ou não, nós acreditamos que sim, porque o poder econômico está colocado nitidamente em campanha por Flávio Bolsonaro, fazendo abuso, abusando dos seus recursos.”
Segundo a deputada, o episódio de Barretos não deve ser analisado isoladamente. Ela sustenta que a influência econômica estaria também presente em candidaturas de aliados nos estados e argumenta que o objetivo da ação é preservar o equilíbrio da disputa.
Maria do Rosário fez ainda críticas diretas ao candidato do PL. “Flávio Bolsonaro é totalmente despreparado para qualquer função pública, quanto mais, para a Presidência da República”, afirmou. Segundo ela, o senador teria como únicos ativos eleitorais o apoio do pai, Jair Bolsonaro, e o respaldo de setores econômicos.
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