Emendas

Governo admite falhas na execução de emendas, mas diz que problemas foram corrigidos

Nota do Ministério da Saúde enviada ao STF reconhece fragilidades estruturais apontadas em auditorias do SUS. Relatório recomendou a devolução de R$ 25,9 milhões por irregularidades na aplicação de recursos de 2024

O Ministério da Saúde destaca que plantas medicinais não substituem tratamentos prescritos por profissionais de saúde. O uso deve ser responsável e respeitar as recomendações adequadas. -  (crédito: Jefferson Rudy/Agência Senado  wikimedia commons)
O Ministério da Saúde destaca que plantas medicinais não substituem tratamentos prescritos por profissionais de saúde. O uso deve ser responsável e respeitar as recomendações adequadas. - (crédito: Jefferson Rudy/Agência Senado wikimedia commons)

O Ministério da Saúde admitiu a existência de fragilidades e deficiências na execução de emendas parlamentares destinadas à área, mas afirmou que os problemas foram corrigidos nos exercícios de 2025 e 2026. A posição consta em nota técnica encaminhada ao Supremo Tribunal Federal (STF) na quinta-feira (3/9), em resposta a uma determinação do ministro Flávio Dino, relator de uma ação que discute a transparência desses recursos.

A manifestação ocorre após o Departamento Nacional de Auditoria do SUS (DenaSUS) apresentar à Corte, em julho de 2026, um relatório sobre 75 auditorias realizadas em emendas do Orçamento de 2024. As análises envolveram R$ 53,3 milhões destinados à saúde, principalmente por meio de emendas individuais e de bancada.

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Os recursos foram distribuídos a 48 municípios de 23 estados e deveriam financiar ações como o Incremento de Piso de Atenção Primária, o Incremento de Média e Alta Complexidade, a aquisição de equipamentos e reformas de Unidades Básicas de Saúde (UBS).

Na nota enviada a Dino, o Ministério da Saúde afirmou que o relatório retrata um cenário anterior às mudanças implementadas na execução das transferências federais. Para a pasta, o diagnóstico passou a representar um registro histórico de deficiências que teriam sido superadas pelo novo arcabouço normativo adotado em 2025 e 2026.

Monitoramento

O ministério reconheceu, ainda, problemas na segregação contábil e na rastreabilidade financeira dos recursos, além de insuficiências nos mecanismos de monitoramento, planejamento e transparência ativa. Também admitiu a ausência de instrumentos adequados para avaliar resultados e mensurar a efetividade das ações financiadas.

Outro ponto reconhecido foi a existência de fragilidades na conformidade da destinação dos recursos públicos, especialmente quanto ao cumprimento de proibições constitucionais e legais relacionadas à execução das emendas parlamentares.

Segundo a pasta, as inconsistências identificadas não eram ocorrências episódicas ou isoladas, mas evidenciavam fragilidades estruturais que ultrapassavam situações específicas. O ministério também reconheceu um grau significativo de exposição do modelo de execução a riscos financeiros, operacionais e institucionais.

Apesar disso, afirmou que o cenário mudou e que as limitações foram superadas nos exercícios mais recentes. Na manifestação, a pasta sustentou que o diagnóstico do DenaSUS não representa uma incapacidade administrativa atual, mas as limitações de um modelo operacional antigo, submetido a regras anteriores às exigências de rastreabilidade estabelecidas pelo STF.

A nota foi encaminhada ao Supremo após Dino solicitar esclarecimentos ao ministro da Saúde, Alexandre Padilha (PT), sobre as conclusões do relatório de auditoria.

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postado em 04/09/2026 11:13 / atualizado em 04/09/2026 11:16
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