
Os brasileiros demonstram preocupação crescente com as mudanças climáticas e esperam que o tema esteja presente nas propostas dos candidatos às eleições de 2026. É o que mostra a pesquisa Ipsos encomendada pelo Observatório do Clima. Segundo o levantamento divulgado nesta quinta-feira (17/9), 91% dos entrevistados consideram importante que os candidatos apresentem medidas para enfrentar a crise climática, enquanto 62% classificam essa questão como “muito importante”.
Os dados fazem parte de levantamento que ouviu 1.800 brasileiros em todas as regiões do país. O questionário, aplicado on-line, foi composto por 32 perguntas sobre clima e meio ambiente e a presença de tais temas na agenda pública e governamental, além de cuidados, atitudes e comportamentos relacionados a essas agendas. O levantamento também incluiu um bloco específico de perguntas sobre o metano.
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Segundo a pesquisa, 87% concordam que a mudança climática está provocando secas, chuvas intensas e ondas de calor . Além disso, 85% consideram que a mudança climática afeta o cotidiano dos brasileiros; 79% acreditam que o tema deve ser priorizado mesmo que implique custos econômicos; e 76% entendem que ainda há tempo para evitar os piores impactos, caso medidas sejam tomadas imediatamente.
O tema mudança climática ainda é ofuscado por preocupações relacionadas à segurança, à economia e aos serviços públicos. No entanto, no recorte dos problemas ambientais, o tema ocupa o primeiro lugar, com 35% das menções. Em seguida, aparecem a gestão de resíduos e lixo, com 21%, e a qualidade do ar e a poluição, com 15%.
Em relação ao metano, gás de efeito estufa 28 vezes mais potente que o CO2 num período de 100 anos, o levantamento revela que o conhecimento está ainda restrito a uma pequena parcela da população. A maioria (64%) atribuiu aos aterros sanitários, lixões e à queima de combustíveis fósseis a responsabilidade pela maior parcela das emissões do gás, quando o maior vilão no Brasil é a pecuária.
Pontos de atenção
Ao Correio, Marcio Astrini, secretário-executivo do Observatório do Clima, aponta três tipos prioritários de ação para o próximo governo e Congresso Nacional no âmbito do enfrentamento às mudanças climáticas. "O primeiro é cuidar da cota de contribuição para crise climática, com as emissões que são calcadas no desmatamento. Então eliminar o desmatamento, diminuir as emissões na agricultura e na área de energia é cuidar do problema interno que o Brasil oferece pro clima no mundo", cita.
O segundo ponto, segundo Marcio, é trabalhar a adaptação climática no Brasil, pois o país é extremamente vulnerável a um clima extremo. "Primeiro por conta da condição de desigualdade social. Temos contingentes enormes de populações que estão sob extremo risco climático, inclusive é mapeado por diversos institutos que trabalham com clima no Brasil. Ter uma ampla agenda de adaptação para as regiões mais críticas é importante para minimizar os impactos", explica.
Ainda nesse sentido, o especialista cita que o terceiro tipo de atuação é no cenário internacional, ou seja, promovendo agenda climática e cobrando o comprometimento dos países. "Por mais que a gente também trabalhe internamente no Brasil, se as emissões continuarem descontroladas no restante do mundo, elas vão impactar o nosso país, mesmo que o país faça todos os deveres de casa", frisa Marcio.
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