
Até o momento, o governo brasileiro não aplicou, de fato, a Lei da Reciprocidade contra os Estados Unidos. Auxiliares do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) avaliam que não é interessante responder ao tarifaço imposto por seu homólogo, Donald Trump, com as mesmas armas. O cálculo do Planalto passa, sobretudo, por avaliar quais medidas poderiam ser adotadas sem provocar efeitos colaterais sobre a economia brasileira, como pressão sobre preços e inflação.
Lula tem dito a interlocutores que "o melhor caminho é negociar". Com isso, o chefe do Executivo tem escalado auxiliares para tratar diretamente com representantes do governo norte-americano e buscar uma saída diplomática para o impasse.
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A orientação é manter abertos os canais de negociação antes de partir para uma resposta comercial na mesma proporção. Em entrevista à CNN Internacional, ontem (21/9), o presidente afirmou que a reciprocidade permanece como uma possibilidade caso as tratativas não avancem.
Na ONU
A estratégia também aparece, ainda que de maneira indireta, no discurso de Lula nesta terça-feira (22), na abertura da 81ª Assembleia Geral das Nações Unidas, em Nova York. O presidente deve colocar a defesa da soberania brasileira entre os principais pontos do pronunciamento, além de reforçar o multilateralismo e criticar tentativas de interferência externa em assuntos internos do país. A expectativa é de que Trump não seja citado nominalmente, embora o tarifaço e a relação com Washington estejam no pano de fundo da fala.
No Planalto, a avaliação é de que defender a soberania não significa fechar as portas para uma composição com os Estados Unidos. Ao contrário: o petista pretende usar a tribuna da ONU para sustentar que divergências entre países devem ser resolvidas por meio do diálogo e de mecanismos multilaterais.
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