RELAÇÕES EXTERIORES

Antes de discurso na ONU, Lula reafirma defesa da soberania do Brasil

Em redes sociais, petista resgatou histórico de falas na ONU e defendeu autonomia do Brasil antes da abertura em NY

Em solo norte-americano, a soberania nacional será principal bandeira do governo -  (crédito: Ricardo Stuckert/PR)
Em solo norte-americano, a soberania nacional será principal bandeira do governo - (crédito: Ricardo Stuckert/PR)

Horas antes de subir à tribuna da Assembleia Geral das Nações Unidas (ONU), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) usou as redes sociais, nesta terça-feira (22/9), para reafirmar a defesa da soberania, da democracia e do multilateralismo como princípios da atuação brasileira no cenário internacional.

Em publicação no X, Lula recuperou temas que, segundo ele, atravessam os discursos feitos pelo Brasil na ONU desde o início de seu primeiro mandato, em 2003.

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"Há mais de duas décadas, o Brasil leva à tribuna da ONU uma posição clara em defesa da paz, da cooperação entre os países, da soberania dos povos e de uma ordem internacional mais justa."

O presidente também citou a redução das desigualdades, o meio ambiente e a ampliação da participação dos países do Sul Global nas decisões internacionais entre as pautas levadas pelo país à Assembleia ao longo dos últimos anos.

"De 2003 a 2025, foram dez discursos na Assembleia Geral. Da luta contra a fome à defesa da democracia, do meio ambiente e do multilateralismo, o Brasil reafirmou seu compromisso com a redução das desigualdades e uma participação maior do Sul Global nas decisões mundiais."

Ao concluir a mensagem, Lula relacionou a capacidade de atuação externa do país à proteção da democracia e da autonomia brasileira.

"Um Brasil soberano e com a democracia protegida tem força para defender seus interesses e cuidar do seu povo."

Discurso abre debate da ONU

Lula participa nesta terça-feira da abertura do Debate Geral da 81ª Assembleia Geral, em Nova York. Como ocorre tradicionalmente, o Brasil será o primeiro Estado-membro a discursar, seguido pelos Estados Unidos. A programação da ONU prevê o debate entre 22 e 28 de setembro.

Será a décima participação de Lula como responsável pelo pronunciamento brasileiro na abertura do debate. Antes dele, estão previstos discursos do secretário-geral da ONU, António Guterres, e do presidente da 81ª Assembleia Geral, Khalilur Rahman.

Na sequência, quem ocupa a tribuna é o presidente norte-americano Donald Trump. A proximidade entre os dois discursos ganha peso diante do momento de tensão entre Brasília e Washington.

Relação com os Estados Unidos

A defesa da soberania já vinha sendo apontada como um dos eixos da passagem de Lula pelos Estados Unidos. A mensagem publicada nesta terça reforça essa linha em um momento no qual os dois governos acumulam divergências comerciais e políticas.

Na área econômica, o Brasil contesta tarifas impostas por Washington a produtos brasileiros. Na véspera do discurso na ONU, Lula afirmou que o país não pretende adotar medidas de reciprocidade enquanto as negociações com os Estados Unidos continuarem, embora considere as tarifas sem fundamento.

As divergências também alcançaram a segurança pública. Na semana passada, Trump criticou o governo brasileiro pelo combate ao Primeiro Comando da Capital (PCC) e ao Comando Vermelho (CV), classificados pelos Estados Unidos como organizações terroristas. O governo brasileiro rebateu a avaliação norte-americana.

Além da soberania, a expectativa em torno do pronunciamento brasileiro inclui a defesa do multilateralismo, da reforma das instituições internacionais, do combate à fome, da preservação ambiental e de soluções diplomáticas para conflitos.

O debate geral deste ano tem como tema Restaurar a confiança, gerenciar a transformação: uma Organização das Nações Unidas que atenda a todas as pessoas.

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postado em 22/09/2026 09:09
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