
As relações políticas entre Argentina, Chile, Peru, Brasil e outros países da América Latina vêm ganhando notoriedade no mundo, devido às eleições recentes em alguns deles. Segundo o doutor em ciências políticas, Mariano Facchini, as mudanças de governos que ocorreram na América Latina nos últimos anos dificilmente chegarão às urnas brasileiras no domingo (4/10).
Mais de 158 milhões de eleitores devem ir às urnas neste domingo para eleger 6 candidatos aos cargos de deputado federal, estadual/distrital, senadores, governador e presidente no primeiro turno das eleições no Brasil. Como em outras nações em períodos eleitorais, conforme vão se aproximando os dias das eleições, os olhares internacionais para o país aumentam gradativamente.
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A Organização dos Estados Americanos (OEA) emitiu uma nota, nos últimos dias, informando que enviou três missões internacionais para monitorar as eleições do Brasil, municipais no Paraguai e as eleições regionais e municipais no Peru.
“A Missão de Observação Eleitoral (MOE) da OEA no Brasil, presente no país pela quinta vez, é composta por mais de 90 observadores de 23 países, que serão enviados para mais de 20 estados e o Distrito Federal. A MOE da OEA conta com uma equipe de especialistas que analisam diversos aspectos relacionados à organização e logística eleitoral, implementação de tecnologia, justiça eleitoral, financiamento político e eleitoral, violência, campanhas, mídia e comunicação digital, entre outros temas”, informou a entidade.
Recentemente as populações chilena e argentina viram de perto a mudança política em uma transição histórica de governos esquerdistas para a direita-conservadora. Ambas as nações, inclusive, sofreram forte influência do conservadorismo político brasileiro, principalmente do cenário de 2018, quando Jair Messias Bolsonaro (PL) foi eleito presidente do Brasil, que também vêm recebendo apoio e “surfando” na mesma onda dos vizinhos.
Para Mariano Facchini, os cenários de 4 anos atrás e de agora são muito parecidos. “Parece que não houve eleições em 2022, porque a eleição de 2026 será muito parecida, um ponto para um, um ponto para o outro. Não houve mudanças, nem para melhor nem para pior”, diz.
O especialista ainda ressalta que essa possível mudança no eleitorado da América Latina se dá devido à insatisfação do eleitorado. “Em alguns casos, observamos uma tendência de mudança devido à insatisfação com o governo em muitos países, o que se expressou inclusive em vitórias como as da extrema-direita na Argentina”, frisa.
Facchini avalia que é bem difícil definir uma projeção do resultado das eleições no Brasil com base nos vizinhos, como Chile, Peru e Argentina, pois o Brasil é um país dividido por regiões quando se refere à política.
“As eleições brasileiras são explicadas por raízes, culturas e ideologias muito brasileiras, e isso mostra as últimas três eleições, que foram uma cópia carbono. Você vê as regiões onde cada partido venceu, e isso se repetiu em 2022 e se repetirá em 2026. A única coisa que mudará são as porcentagens dentro de cada uma dessas regiões, que serão para um partido ou outro”, afirmou.
“Parece-me que o Brasil é um caso à parte, por assim dizer. Muito difícil, um osso duro de roer, como diríamos aqui na Argentina. E isso tem a ver com o fato de que as mudanças que ocorreram na América Latina não vão afetar o Brasil de forma alguma”, acrescentou.
Direita ou esquerda: como será possivelmente o cenário na América Latina pós-eleições?
Perguntado sobre um possível cenário de mudança para o governo de extrema-direita conservadora, o especialista afirma que “em termos geopolíticos, para o Brasil seria uma vitória da extrema-direita, enquanto para os Estados Unidos seria uma consolidação quase total do continente a seu favor". "Uma vitória de Lula seria um marco, mas não afetaria a hegemonia que os Estados Unidos continuam a exercer sobre a região", cita.
“Não acho que muita coisa vá mudar se Flávio e Lula vencerem. Acho que é mais uma questão simbólica. Bem, porque não há semelhanças na América Latina. Não é como se houvesse uma eleição no Brasil e as pessoas fossem votar da mesma forma que os brasileiros votaram; não há dois países que votem exatamente da mesma maneira. Não, não existe efeito de imitação na votação”, continuou.
O especialista não acredita em uma mudança brusca nos governos da América Latina, mas tem visto e comprovado que de alguns anos para cá os candidatos de oposição têm ocupado as cadeiras do executivo, diminuindo bastante as reeleições na América Latina.
“Nas últimas 43 eleições, a partir de 2015, a oposição vence duas em cada três eleições. Portanto, estes também podem ser de esquerda, de direita ou de centro. Há pouquíssimas reeleições nessas 43, quase nenhuma. As autoridades que existiam foram questionadas, como as de Maduro, Ortega e Evo Morales, o que levou a um golpe de Estado”, ressalta.
Com Produto Interno Bruto (PIB) de aproximadamente US$ 2,19 trilhões, o Brasil é hoje o maior país da América Latina e considerado como uma grande potência geopolítica regional. Decisões econômicas, comerciais, de juros, de agricultura, investimentos e principalmente políticas, podem causar efeitos que ultrapassam as fronteiras, até mesmo do continente, o que pode explicar uma possível influência maior do Brasil sob as eleições dos vizinhos, do que o contrário.
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