
Representantes da Meta negaram qualquer interferência no processo eleitoral ou favorecimento político no pleito brasileiro durante uma reunião com as campanhas de Flávio Bolsonaro e Luiz Inácio Lula da Silva no Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Responsável por plataformas digitais como WhatsApp, Instagram e Facebook, a Meta foi intimada a apresentar, em 24 horas, informações sobre as medidas adotadas para garantir igualdade na distribuição de conteúdos políticos e na veiculação de anúncios eleitorais.
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O TSE foi representado pelo ministro substituto Marco Aurélio Bellizze, que ouviu as partes sobre o cumprimento da determinação judicial. “Transparência e igualdade entre os candidatos é o que se busca resguardar nesta representação”, afirmou o ministro.
Marco Aurélio Bellizze foi designado pelo presidente do TSE, ministro Kassio Nunes Marques, para atuar como juiz auxiliar da propaganda eleitoral no segundo turno das Eleições Gerais de 2026, juntamente com a ministra Estela Aranha, o ministro André Mendonça e a Presidência do Tribunal.
Inteligência artificial
Outro ponto abordado na decisão foi o suposto funcionamento de ferramentas de inteligência artificial que favoreceriam apenas um dos candidatos, o que também foi negado pela empresa. Segundo a Meta, o problema foi causado por “questões técnicas”.
Declaração técnica
A empresa já havia enviado uma declaração técnica à Corte. Segundo a Meta, o documento anexado ao processo atesta que os conteúdos relacionados às duas candidaturas recebem tratamento equivalente e detalha os mecanismos utilizados para assegurar a igualdade. A empresa também afirmou que suas equipes trabalham para produzir a documentação exigida pelo ministro.
Entenda
A determinação do TSE foi motivada por questionamentos da campanha de Lula, que alegou prejuízos na distribuição de publicações políticas e eleitorais nas redes sociais. A coligação do presidente sustentou que postagens relacionadas à candidatura petista estariam enfrentando restrições e apontou uma suposta diferença nos recursos de inteligência artificial da empresa. Segundo a ação, ferramentas da Meta permitiriam gerar imagens relacionadas a Flávio Bolsonaro, mas apresentariam limitações para produzir conteúdos envolvendo Lula. A campanha também citou o alcance de perfis ligados ao adversário como possível indício de tratamento desigual.
Em 15 de outubro, Bellizze determinou que a Meta não aplicasse medidas de redução da distribuição, exclusão de recomendações ou restrições de busca a conteúdos político-eleitorais de nenhuma das candidaturas que disputam o segundo turno. A decisão também estabeleceu regras para a recomendação de publicações, a gestão de contas de anúncios e o funcionamento da Meta AI, que deverá aplicar critérios idênticos aos dois candidatos. Flávio também alegou ter sido prejudicado pelas plataformas e pediu ao TSE medidas contra o impulsionamento de publicações negativas relacionadas à campanha dele.
A atuação da Justiça Eleitoral sobre as redes sociais se estendeu aos perfis do deputado Nikolas Ferreira (PL-MG) e do influenciador Pablo Marçal. Ontem, o corregedor-geral eleitoral, ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, proibiu os dois de republicarem conteúdos que já haviam sido vetados pelo TSE. A decisão determinou ainda que a Meta e o X suspendam o impulsionamento pago de publicações das contas dos investigados até o fim do segundo turno, além de impedir tratamento privilegiado na distribuição de propaganda eleitoral. Em caso de descumprimento, a multa prevista é de R$ 50 mil por publicação.