O candidato à presidência Flávio Bolsonaro (PL) comentou nesta segunda-feira (12/10) a autorização para retomar as visitas ao pai, Jair Bolsonaro, condenado a 27 anos e três meses de prisão, além de multa, por tentativa de golpe de estado. “Estou ansioso, são mais de três meses sem poder vê-lo”, afirmou o candidato na Catedral Metropolitana de Brasília, após uma missa pelo Dia de Nossa Senhora Aparecida.
Na mesma ocasião, o senador classificou o pai como “vítima de uma injustiça” e afirmou que a suspensão das visitas ocorreu “sem critério nenhum, sem humanidade e nenhum amparo legal”. Segundo ele, a medida teve como objetivo separá-lo do pai e impedir o contato com uma liderança política que já disputou a Presidência.
Flávio disse que compareceu ao evento a convite de Dom Paulo Cezar Costa, Cardeal e Arcebispo Metropolitano de Brasília, e que sua presença foi motivada pelo respeito à fé dos brasileiros. Durante a declaração, o senador também agradeceu às pessoas que, segundo ele, têm feito orações pelo país e por sua família.
"Hoje vim aqui a convite do Dom Paulo em respeito à fé de milhões de brasileiros e fiquei muito feliz que no dia de Nossa Senhora Aparecida é o dia em que estou novamente autorizado a visitar o meu pai, vítima de uma injustiça”, afirmou.
O candidato declarou que foi à celebração para agradecer a Deus e aos apoiadores que têm rezado pelo Brasil. Ele também relacionou a fé ao futuro do país e afirmou que pretende continuar atuando na campanha ao lado de seu candidato a vice-presidente, Alfredo Gaspar, e de aliados políticos.
Flávio disse que espera abraçar o ex-presidente e verificar como ele está na manhã desta terça-feira (13/10). “Espero olhar no olho dele, dar um abraço e espero que ele esteja feliz”, afirmou. O senador também agradeceu aos apoiadores que têm “rezado pelo Brasil” e declarou que o futuro do país está “na mão de Deus”.
Visitas suspensas por 90 dias
A suspensão das visitas foi determinada pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), em 13 de julho. A decisão ocorreu após Flávio divulgar nas redes sociais uma carta escrita pelo pai em apoio à sua candidatura à Presidência. A mensagem também foi lida durante uma transmissão ao vivo.
Na ocasião, Jair Bolsonaro estava submetido a medidas cautelares que o proibiam de utilizar redes sociais, diretamente ou por intermédio de terceiros. Para Moraes, a divulgação da carta pelo filho desrespeitou a determinação judicial e deu finalidade político-eleitoral a uma visita familiar.
“Não há dúvidas, portanto, de que a conduta irregular de Flávio Nantes Bolsonaro desrespeitou expressa vedação judicial e configurou ostensivo desvio de finalidade no exercício de seu direito de visita”, afirmou o ministro na decisão que suspendeu as visitas por 90 dias.
Com a nova autorização, as visitas poderão ser retomadas nos mesmos horários e sob as condições e medidas de segurança estabelecidas anteriormente, mantendo a proibição de utilizar os encontros para fins político-eleitorais ou para divulgar manifestações de Jair Bolsonaro sobre as eleições.
