Eleições 2026

Flávio faz discurso em clima de vitória e até escolhe pai para pôr a faixa

No penúltimo fim de semana antes do segundo turno, candidato à Presidência pelo PL volta a manifestar desejo de anistiar o ex-presidente Jair Bolsonaro. Enquanto isso, Lula faz campanha no Nordeste, começando pelo Rio Grande do Norte

Flávio Bolsonaro, ao lado do governador eleito Douglas Ruas, após recontagem dos votos no Rio de Janeiro -  (crédito:  AFP)
Flávio Bolsonaro, ao lado do governador eleito Douglas Ruas, após recontagem dos votos no Rio de Janeiro - (crédito: AFP)

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), candidato à Presidência da República, está cada vez mais confiante na vitória no segundo turno contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), e afirmou, ontem, que o pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), será responsável por lhe entregar a faixa presidencial. O segundo turno será realizado no próximo dia 25, e os dois candidatos seguem fazendo campanha pelo país.

Ontem, o filho mais velho do clã Bolsonaro participou de uma motocarreata em São Gonçalo, na Região Metropolitana do Rio de Janeiro. No evento, ao lado de Douglas Ruas, Flávio comemorou a recontagem dos votos que confirmou a vitória do candidato do PL ao governo do Rio de Janeiro em primeiro turno. 

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Em discurso aos apoiadores, Flávio voltou a mencionar a participação do pai na cerimônia de posse em data errada, pois ela será realizada no dia 5 de janeiro de 2027. "E vocês verão no dia 6 de janeiro de 2027, na data da posse, Flávio Nantes Bolsonaro fazendo uma oração entregando o Brasil nas mãos de Deus. E vocês verão Jair Messias Bolsonaro colocando a faixa de presidente no seu filho", afirmou.

Não é a primeira vez que Flávio expressa esse desejo, assim como o de o pai subir a rampa do Palácio do Planalto. Contudo, Bolsonaro pai segue em prisão domiciliar após ser condenado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) a 27 anos e três meses de prisão por participação na trama golpista. Além disso, já vem convidando líderes de direita para a posse.

Vale lembrar que o protocolo das eleições democráticas prevê a transmissão de faixa no dia da posse pelo atual presidente, o que não ocorreu em 2023. Jair Bolsonaro, derrotado por Lula em 2022, preferiu viajar para fora do país e não participar da cerimônia, além de questionar a confiabilidade das urnas.

A confiança na vitória expressa por Flávio também aparece nas conversas de bastidores da campanha, que não detalham as medidas econômicas e as mudanças na Constituição que estão sendo programadas. Integrantes da equipe ouvidos pelo Correio disseram acreditar que o segundo turno já está ganho, e resumiram o sentimento com a avaliação de que "a vitória já é certa".

Interlocutores disseram que o otimismo está sendo alimentado por pesquisas eleitorais recentes, registrando Flávio numericamente à frente de Lula no segundo turno. No primeiro turno, ao contrário das enquetes eleitorais, o senador obteve 47,03% dos votos válidos, e o petista, 45,16%.

Em meio ao clima de já ganhou, integrantes da campanha afirmam que a mobilização não pode diminuir. A avaliação deles é de que ainda há regiões em que Flávio precisa ampliar o apoio, especialmente no Nordeste, única região em que Lula ficou à frente do rival nas urnas e que, em 2022, foi a responsável pela vitória do candidato do PT.

A estratégia, agora, prevê intensificar a presença na região e contar com a atuação de candidatos eleitos no primeiro turno, que passaram a trabalhar na corrida ao segundo turno presidencial, como o deputado Nikolas Ferreira (PL-MG), o governador Tarcísio de Freitas (Republicano-SP) e o senador recém-eleito ao governo de Minas Gerais, Cleitinho Azevedo (Republicanos-MG).

Os aliados reconhecem, no entanto, que a tarefa não será simples. O Nordeste é um dos principais desafios da campanha, e a equipe considera necessário converter novos apoios em votos para fortalecer a base de Flávio. A intenção é aproveitar a estrutura política formada após o primeiro turno e a participação de lideranças regionais nesse sentido nos colégios eleitorais onde o senador encontrou maior resistência.

Em São Gonçalo, Flávio direcionou críticas ao governo federal e projetou o encerramento da gestão petista. Nesse sentido, associou o governo Lula a indicadores negativos relacionados à economia, como o endividamento das famílias, à carga tributária elevada, ao fechamento de empresas e à violência contra as mulheres. "É o fim da Era Lula no Brasil. Essa era que só deixa recordes negativos, é recorde de mulher assassinada, é recorde de brasileiro endividado, é recorde de imposto, é recorde de empresas fechadas, é recorde de indústrias quebradas", declarou o senador, sem apresentar números que comprovassem os dados citados.

Na sequência, o candidato convocou os participantes a se mobilizarem para a votação do segundo turno. "Vamos tirar o PT do poder, dia 25 de outubro", afirmou. O discurso procurou associar a disputa presidencial à necessidade de mudança de governo e manter os apoiadores mobilizados na reta final da campanha.

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Após a motocarreata, Flávio participou de um encontro com mulheres, na Barra da Tijuca, e foi à celebração dos 100 anos da Assembleia de Deus do Ministério de Madureira, no ginásio do Maracanãzinho, ao lado de apoiadores e do pastor Silas Malafaia.

Durante o evento religioso, o senador voltou a defender a libertação do pai. A agenda do senador continua hoje, em São Paulo, onde terá compromissos com Tarcísio de Freitas e o prefeito da capital, Ricardo Nunes (MDB). À tarde, ele participa de encontros com prefeitos e vereadores.

 

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postado em 11/10/2026 03:59
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