A deputada federal Ana Elisa (PT) criticou o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) após uma nova decisão do ministro Kassio Nunes Marques, presidente da Corte, que determinou a suspensão do canal “Exército do Lula”, no WhatsApp. Em vídeo publicado no Instagram nesta terça-feira (13/10), ela afirmou que a medida busca conter o crescimento da mobilização digital em apoio à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
“Mandaram tirar mais uma vez o “Exército do Lula” do ar. Por que estava propagando fake news? Porque estava fazendo alguma coisa nesse sentido? Não, porque eles estão com medo”, declarou a parlamentar, ao comparar o canal petista com a “Tropa do Flávio”, ligada à campanha do senador Flávio Bolsonaro (PL). Segundo ela, enquanto o grupo bolsonarista reúne cerca de 1 milhão de pessoas, o canal de apoio a Lula já ultrapassou 4 milhões de seguidores.
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Ana Elisa também afirmou que a decisão representa uma ameaça à liberdade de expressão. “Mas derrubar canais específicos, isso sim é censura”, disse. Ao longo do vídeo, a deputada voltou a criticar a medida e resumiu sua avaliação em outra frase: “A censura já começou”.
A parlamentar afirmou ser contrária à retirada do ar tanto do canal de Lula quanto do grupo ligado a Flávio Bolsonaro, mesmo diante das acusações de disseminação de notícias falsas contra o segundo. Para ela, a Justiça Eleitoral não deveria impedir o funcionamento de canais inteiros, mas garantir que os usuários tenham liberdade para acompanhar diferentes posicionamentos políticos.
A deputada também relacionou o episódio a um eventual governo de Flávio Bolsonaro. “É bom que as pessoas já estão tendo uma 'palhinha' do que vai acontecer caso o Flávio Bolsonaro seja eleito presidente da República”, afirmou.
Assista:
Entenda o caso
O canal “Exército do Lula” foi criado pelo deputado federal André Janones (Rede-MG) para mobilizar apoiadores do presidente durante a campanha eleitoral. A ferramenta ultrapassou 4,3 milhões de seguidores e se tornou alvo de uma disputa judicial entre as campanhas de Lula e Flávio Bolsonaro.
No domingo (11/10), Nunes Marques determinou a suspensão do canal após um pedido da campanha de Flávio, que acusou o grupo de disseminar desinformação eleitoral. No mesmo dia, o corregedor-geral eleitoral, ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, reverteu a decisão e permitiu a retomada das atividades.
Na segunda-feira (12/10), a área técnica do TSE informou que não havia identificado notícias falsas no canal, mas apontou que mensagens tinham sido apagadas e levantou preocupações sobre o funcionamento da ferramenta durante a campanha.
Já terça-feira (13/10), Nunes Marques voltou a determinar a suspensão do canal por falta de registro formal do endereço junto à Justiça Eleitoral. O ministro condicionou a retomada das atividades à regularização da ferramenta e determinou o monitoramento das publicações.
Após a campanha de Lula registrar o canal como meio oficial de comunicação eleitoral, o ministro autorizou a retomada do funcionamento, respeitado o prazo de 48 horas. A disputa, portanto, passou a envolver não apenas as acusações de desinformação, mas também as regras de registro e fiscalização de canais usados para mobilização eleitoral.
