
O deputado federal André Janones (Avante-MG) admitiu, nesta terça-feira (13/10), ter apagado mais de 500 mensagens do canal “Exército do Lula”, criado para mobilizar apoiadores do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nas redes sociais. Em coletiva no Congresso, ele afirmou que a exclusão ocorria depois do cumprimento das tarefas propostas aos participantes e negou que a prática tivesse o objetivo de esconder conteúdos irregulares. O canal, que chegou a reunir mais de 4,2 milhões de pessoas, é alvo de questionamentos na Justiça Eleitoral.
Segundo Janones, as mensagens eram retiradas para evitar o acúmulo de publicações antigas e facilitar o acompanhamento das orientações. Como exemplo, citou áudios em que pedia aos participantes que mobilizassem novos integrantes em determinado intervalo de tempo. Depois que a meta era atingida, afirmou, o conteúdo perdia a finalidade e era apagado. O deputado também disse que excluía listas de perfis que recomendava aos apoiadores para ampliar o alcance de páginas alinhadas ao campo progressista.
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O parlamentar sustentou que as mensagens apagadas continuaram registradas e poderiam ser consultadas no processo. De acordo com ele, documentos apresentados pela própria parte adversária recuperaram os conteúdos e demonstrariam que as publicações tratavam de ações de mobilização, e não da disseminação de notícias falsas. Janones afirmou ainda que o parecer técnico do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) não teria identificado fake news nas mensagens excluídas.
O deputado acrescentou que o canal existe desde abril e que, no início, era utilizado também para compartilhar mensagens pessoais. Por isso, segundo ele, parte do material apagado era antiga e havia sido publicada quando o grupo ainda tinha poucos participantes. Janones argumentou que não havia recebido ordem judicial para preservar ou remover publicações e que as exclusões foram feitas de boa-fé.
A discussão sobre as mensagens apagadas ganhou relevância após a suspensão do canal e os questionamentos apresentados à Justiça Eleitoral. Janones contestou a decisão e afirmou que a retirada dos conteúdos passou a ser usada para sustentar suspeitas sobre o funcionamento do grupo. Ele também declarou que não pretende mais apagar as orientações de mobilização, para evitar novas interpretações sobre a prática.
Na coletiva, o deputado negou ter divulgado notícias falsas no canal e afirmou que as instruções eram voltadas à divulgação de propostas de Lula e à contestação de informações que considera enganosas. As justificativas, porém, correspondem à versão apresentada pelo parlamentar. A existência de registros das mensagens e a avaliação sobre eventual irregularidade devem ser consideradas à luz dos documentos e das decisões constantes do processo eleitoral.
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