PEC da tarifa zero

Lula defende transporte gratuito nos fins de semana e feriados

Presidente afirma que medida busca aliviar o orçamento de trabalhadores e permitir que famílias visitem parentes e amigos. Proposta será encaminhada ao Congresso Nacional

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) defendeu, nesta quarta-feira (21/10), a gratuidade do transporte público nos fins de semana e feriados e afirmou que a medida pode representar o início de uma experiência a ser ampliada futuramente. Durante cerimônia no Palácio do Planalto, Lula anunciou o envio ao Congresso Nacional de uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Tarifa Zero.

Segundo o presidente, a iniciativa pretende beneficiar principalmente trabalhadores que comprometem parte significativa do salário com despesas de deslocamento e, por falta de dinheiro, deixam de realizar atividades de lazer ou visitar familiares nos dias de descanso.

“É justo que a gente faça com que o transporte seja gratuito no final de semana e feriado para que essas pessoas, ao terem tempo para descansar, possam visitar um parente, possam visitar um filho, possam visitar um pai, possam visitar um compadre, possam visitar um grupo de amigos e também receber as visitas”, afirmou.

Lula relacionou a proposta ao fim da escala de trabalho 6x1, substituída pelo modelo 5x2, com cinco dias de trabalho para dois de descanso. Na avaliação do presidente, garantir mais tempo livre aos trabalhadores precisa vir acompanhado de condições para que possam aproveitar os períodos de folga.

O presidente ressaltou que muitas pessoas permanecem em casa aos domingos não por opção, mas porque não têm dinheiro para pagar a passagem de ônibus. Para Lula, a gratuidade pode ampliar as possibilidades de convivência social e familiar da população.

Dificuldades para pagar passagem

Durante o discurso, Lula recorreu à própria trajetória como trabalhador para explicar a importância da proposta. Ele contou que, quando trabalhava na indústria em São Paulo, caminhava longas distâncias para voltar para casa por não ter dinheiro para pagar o transporte público. “Não foram poucas as vezes em que eu andava 8 km a pé porque não tinha uma maldita moeda para pagar o transporte”, relatou.

O presidente disse que, naquela época, procurava esconder a situação até mesmo da mulher, inventando justificativas para explicar por que demorava a chegar em casa. “Eu inventava atraso de ônibus, eu inventava reunião para não dizer que eu estava indo a pé por falta de dinheiro”, afirmou.

Segundo Lula, situações semelhantes ainda fazem parte da realidade de homens e mulheres que acordam de madrugada para trabalhar e enfrentam dificuldades financeiras para se deslocar. “Ainda hoje isso acontece com muitas mulheres e com muitos homens que levantam às 4 horas, 4h30, 5 horas para ir trabalhar”, disse.

Governo pretende avaliar resultados da medida

Lula afirmou que a proposta representa uma primeira experiência, cujo alcance poderá ser ampliado caso os resultados sejam positivos e seja possível manter o equilíbrio das contas públicas.

“O que nós estamos fazendo é o seguinte: a gente não vai poder fazer tudo de uma vez, mas a gente está começando uma experiência rica para saber se essas coisas dão certo e, se a gente conseguir equilibrar o fiscal, a gente pode tomar outras medidas mais promissoras num futuro muito próximo”, declarou.

O presidente também reconheceu as dificuldades enfrentadas pela equipe de governo para viabilizar as iniciativas e afirmou que a administração recebeu um orçamento em situação precária.

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