Beleza

Scalp care: experts indicam rotina de cuidados com couro cabeludo

Especialistas afirmam que cuidar do couro cabeludo é o primeiro passo para fios mais fortes, saudáveis e resistentes. Saiba como incluir os cuidados no dia a dia

Esfoliar o couro cabeludo e aumentar a circulação sanguínea na área é crucial para a saúde capilar  -  (crédito: Freepik )
Esfoliar o couro cabeludo e aumentar a circulação sanguínea na área é crucial para a saúde capilar - (crédito: Freepik )

Durante muito tempo, a atenção aos cabelos ficou restrita ao comprimento dos fios. No entanto, dermatologistas e tricologistas reforçam que a verdadeira saúde capilar começa antes de eles aparecerem, no couro cabeludo. É nesse "solo" que o cabelo nasce, cresce e se fortalece, ou, quando algo não vai bem, enfraquece, cai e perde vitalidade.

Fique por dentro das notícias que importam para você!

SIGA O CORREIO BRAZILIENSE NOGoogle Discover IconGoogle Discover SIGA O CB NOGoogle Discover IconGoogle Discover

O chamado scalp care reúne um conjunto de cuidados dermatológicos voltados especificamente para essa região. "Assim como a pele do rosto, o couro cabeludo é uma extensão da pele e precisa estar saudável para que os fios cresçam fortes, brilhantes e resistentes", explica a médica dermatologista Regina Buffman. Segundo ela, quando há desequilíbrio, todo o ciclo de crescimento capilar pode ser comprometido, favorecendo queda, afinamento dos fios, oleosidade excessiva, descamação e inflamações.

Os sinais de alerta costumam ser claros. Coceira frequente, oleosidade excessiva ou ressecamento intenso, descamação persistente, sensação de ardência, queda de cabelo acima do habitual e fios opacos ou frágeis indicam que o couro cabeludo pode estar inflamado, desidratado ou com desequilíbrio da microbiota local. "Esses sintomas não devem ser ignorados, porque refletem um problema que começa na pele e se manifesta no fio", destaca Regina.

Identificar o tipo de couro cabeludo é o primeiro passo para um cuidado eficiente. Oleoso, seco, sensível ou com tendência à caspa exigem abordagens diferentes, desde xampus equilibrantes até fórmulas calmantes, antifúngicas ou hidratantes. O diagnóstico correto, reforça a dermatologista, pode ser feito por meio de avaliação clínica ou dermatoscopia capilar, evitando tratamentos inadequados e automedicação.

 

Em regiões de clima quente e úmido, como grande parte do Brasil, esses cuidados ganham ainda mais importância. O médico tricologista Misael do Nascimento chama atenção para os desafios impostos pelo ambiente e pelo estilo de vida. "No consultório, observo que o paciente masculino lida com um desafio triplo: a genética, que favorece a oleosidade e a calvície; o clima brasileiro, que estimula o suor e a proliferação de fungos; e o preconceito cultural em relação ao autocuidado", afirma. Segundo ele, a resistência em adotar uma rotina básica acaba atrasando diagnósticos e tratamentos.

Para Misael, a higienização assertiva é indispensável. "O homem não deve ter medo de lavar o cabelo diariamente; o acúmulo de sebo e suor é inflamatório." Ele alerta, ainda, para o uso frequente de bonés e capacetes, que criam um microclima quente e úmido, ideal para o desenvolvimento da dermatite seborreica. Nesses casos, xampus com ativos seborreguladores e a fotoproteção do couro cabeludo, com filtros solares em spray ou barreiras físicas, ajudam a evitar o dano actínico que prejudica a qualidade do fio.

Atenção à esfoliação

Outro ponto que gera dúvidas é a esfoliação do couro cabeludo. Para Regina Buffman, ela é uma aliada importante quando bem indicada. "A esfoliação remove resíduos de produtos, oleosidade acumulada e células mortas que obstruem os folículos", explica. A prática pode ser semanal ou quinzenal, dependendo do tipo de couro cabeludo, e precisa ser mais suave em peles sensíveis.

Misael reforça que o procedimento não é universal. "A esfoliação, ou o peeling capilar, é uma ferramenta terapêutica valiosa, mas não é para todos nem para toda hora." Ele destaca que a escolha da textura, da concentração dos ativos e da frequência deve considerar o grau de rarefação e o comprimento dos fios. Em cabelos longos ou muito densos, por exemplo, esfoliantes físicos tendem a ser menos eficazes, enquanto fórmulas líquidas ou químicas, como séruns, alcançam melhor a pele.

Quando o assunto são ativos dermatológicos, há consenso entre os especialistas sobre a importância de fórmulas que controlem a oleosidade, reduzam a inflamação e estimulem o crescimento. Regina cita substâncias como niacinamida, ácido salicílico em concentrações adequadas, cafeína, piroctone olamine, zinco, peptídeos e fatores de crescimento. Já Misael destaca três frentes principais: estimulantes da microcirculação, como cafeína e extratos vegetais; antioxidantes e energizadores, como a niacinamida e a melatonina tópica; e agentes queratolíticos, fundamentais para manter os óstios foliculares desobstruídos.

Como fazer

Para quem deseja montar uma rotina de scalp care em casa, a orientação é manter o equilíbrio entre simplicidade e estratégia. Regina sugere um xampu adequado ao tipo de couro cabeludo, um esfoliante de uso periódico, tônicos ou séruns aplicados diretamente na pele e produtos calmantes ou hidratantes para casos de sensibilidade. Misael complementa com um protocolo que inclui xam pu antirresíduos semanal, tratamento com tônicos tricológicos aplicados no couro limpo e massagem epicraniana, além de cuidados de manutenção, como proteção térmica e brumas calmantes após exposição solar.

Apesar da popularização do tema, os especialistas são unânimes em alertar que nem todo problema se resolve com produtos de prateleira. "Em casos de queda acentuada, caspa persistente ou inflamação, o ideal é buscar avaliação com dermatologista para prescrição individualizada", reforça Regina Buffman.

Tipos de couro cabeludo 

• Oleoso: apresenta brilho excessivo e fios que pesam rapidamente. Exige xampus equilibrantes, controle da oleosidade e lavagens regulares.

• Seco: pode causar coceira e descamação fina. Precisa de hidratação, ativos calmantes e xampus suaves.

• Sensível: costuma arder ou coçar com facilidade. Requer fórmulas hipoalergênicas, sem fragrâncias agressivas e com ação calmante.

• Com tendência à caspa: apresenta descamação mais visível e, às vezes, vermelhidão. Precisa de tratamento antifúngico e acompanhamento dermatológico.

 

 

  • Google Discover Icon
postado em 11/01/2026 06:00
x