
No domingo, 11 de janeiro, o filme “O Agente Secreto”, do diretor Kleber Mendonça Filho, recebeu dois dos três prêmios a que foi indicado no Globo de Ouro 2026. Pela primeira vez na história, o Brasil levou dois prêmios em uma mesma edição da cerimônia. O longa venceu nas categorias de melhor ator (Wagner Moura) e melhor filme em língua não-inglesa.
A vitória levou os brasileiros à loucura e colocou o nome do filme entre os termos mais buscados da semana no Google. Um dos fatores que explica tanta animação é o fato de a premiação servir como um “termômetro” para o Oscar. No entanto, esse não é o único motivo por trás do interesse do público.
A seguir, confira 5 razões para ver “O Agente Secreto”!
1. Temática importante
Ambientado no Brasil em 1977, “O Agente Secreto” é um thriller político que aborda temas como paranoia, vigilância, memória, identidade e resistência durante a Ditadura Militar. A trama acompanha Marcelo (Wagner Moura), um professor especializado em tecnologia que foge de um passado violento e misterioso e retorna a Recife em busca de tranquilidade.
Porém, ele logo percebe que a cidade escolhida como refúgio talvez não seja tão segura quanto imaginava, especialmente quando passa a desconfiar de que está sendo espionado, inclusive pelos próprios vizinhos. Esse contexto tem levado o público à reflexão e a debates políticos profundos, justamente o tipo de narrativa que desperta o interesse do Oscar, colocando o filme entre os favoritos ao prêmio de “Melhor Filme Internacional” de 2026.
2. Trajetória premiada
No Globo de Ouro, além do prêmio de “Melhor Ator em Filme de Drama”, o thriller também levou a estatueta de “Melhor Filme em Língua Não-Inglesa”. Em outros festivais, a trajetória da produção é marcada por uma lista extensa de reconhecimentos, que reúne 56 troféus em 36 premiações. Alguns deles, são:
Festival de Cannes
- Melhor Direção (Kleber Mendonça Filho);
- Melhor Ator (Wagner Moura);
- Prêmio FIPRESCI (Federação Internacional de Críticos de Cinema);
- Prêmio “Art et Essai”, concedido pela AFCAE (Associação Francesa de Cinema d’Art et d’Essai).
Critics Choice Awards
- Melhor Filme Internacional;
National Society of Film Critics Awards 2025
- Melhor Filme em Língua Não-Inglesa;
The Golden Beast
- Carminha (gata que dá vida à Liza e Elis);

3. Direção de Kleber Mendonça Filho
Mesmo diretor de “Bacurau” e “Aquarius”, Kleber Mendonça Filho já é conhecido em premiações internacionais por seu trabalho e estilo dramático, que transita entre o suspense e o realismo. Essas características costumam aparecer em suas obras com um viés crítico, instigando a sociedade de forma proposital — como o próprio diretor ressaltou em seu discurso de agradecimento ao prêmio de “Melhor Filme em Língua Não-Inglesa”, no Globo de Ouro.
“Eu realmente acredito que o cinema pode ser uma forma de expressar algumas das nossas queixas em relação à sociedade em que vivemos”, disse o diretor, mandando um recado especial aos cineastas: “Acho que existe muita tecnologia disponível para se expressar, e acho que este é um ótimo momento para isso. E acredito que os jovens cineastas americanos têm muito a dizer sobre o que acontece nesta sociedade”.
4. Elenco nordestino
Além de ser ambientado em Recife, o filme reúne um elenco de peso nascido no Nordeste, como Wagner Moura, Thomás Aquino, Tânia Maria, Alice Carvalho e Kaiony Venâncio, o que fortalece ainda mais a identidade regional da produção.
5. Atuação de Wagner Moura
A atuação de Wagner Moura foi amplamente elogiada pelo público e pela crítica especializada — não à toa, ele levou para casa a estatueta de “Melhor Ator em Filme de Drama”. Inclusive, o crítico Clayton Davis, que “previu” a vitória de Fernanda Torres no Globo de Ouro 2025, escreveu em um texto, publicado na revista Variety (especializada em cinema), que a atuação de Wagner Moura “está hipnotizante, carregado de tensão e inteligência melancólica”.
